Procurador-Geral da República diz que ritmo da Lava Jato no Supremo está “mais lento”; ministro Gilmar Mendes rebate e diz que há lentidão da PGR em relação à Lava Jato

Ministro Gilmar Mendes qualifica Rodrigo Janot como engavetador.
Ministro Gilmar Mendes qualifica Rodrigo Janot como engavetador.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse na terça-feira (06/09/2016) que os processos da Operação Lava Jato julgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) têm um ritmo “mais lento” do que na primeira instância, na Justiça Federal do Paraná.

Os trabalhos da força-tarefa da Operação Lava Jato, que investiga desvios na Petrobras, começaram em abril de 2014, e 98 pessoas já foram condenadas pela primeira instância em Curitiba.

O STF, que julga processos que envolvem políticos com foro privilegiado, ainda não gerou nenhuma decisão final relacionada à Lava Jato. Janot evitou criticar diretamente o Supremo, dizendo apenas que este é “o ritmo do tribunal”.

Janot atribuiu a relativa morosidade da Lava Jato no STF ao fato de que o tribunal “não ter sido feito para formar processo, mas para julgar recurso”. Quando o Supremo recebe a tarefa de originar processos, “fica mais lento mesmo”, acrescentou o procurador-geral da República, que falou com os jornalistas após sessão do Conselho Superior do Ministério Público Federal.

Questionado se isso seria uma crítica direta ao foro privilegiado, Janot respondeu que “na extensão que está, é”.

Ministro Gilmar Mendes rebate

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou na terça-feira (06/09/2016) que há lentidão nas investigações da Operação Lava Jato na Procuradoria-Geral da República (PGR). “Curitiba é muito mais célere que a Procuradoria-Geral da República, isso é evidente”, disse Mendes após cerimônia no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Pela manhã, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse que os processos da Lava Jato julgados pelo STF têm um ritmo “mais lento” do que na primeira instância, na Justiça Federal do Paraná. Gilmar Mendes rebateu questionando a eficiência do Ministério Público Federal (MPF).

“Quantos inquéritos estão abertos que não tiveram denúncias oferecidas? Temos centenas de inquéritos abertos no Supremo, mas quantas denúncias foram oferecidas? Portanto, a lentidão é da Procuradora-Geral da República”, disse Mendes.


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