
Em pleno mês da consciência negra, o Grupo Estado Dramático retoma o espetáculo Casa de Ferro que leva ao público a temática da diáspora africana. A temporada segue até o final de novembro com sessões as sextas e sábados, às 20h, na Carretinha Itinerante do grupo no pátio central do Forte do Barbalho. As apresentações têm entrada franca e saída consciente, com arrecadação de contribuições espontâneas daqueles que quiserem apoiar o projeto.
Com direção e atuação de Maurício Assunção, Casa de Ferro apresenta passagens como o nascimento, a raiz (Terra Mãe), a captura, a travessia, o cativeiro, a evangelização, a resistência, o castigo e a transcendência metafísica do povo negro, trazendo à luz a história da população brasileira afrodescendente e sua ancestralidade. O espetáculo expõe o desenraizamento do povo africano e de sua cultura, passando pelo processo de dominação forçada e a posterior transcendência no âmbito mítico-ritualístico, mostrando a força desses seres humanos que encontraram na sua identidade ancestral o poder para lutar e propagar sua cultura.
Casa de Ferro completa 10 anos de existência lapidando o olhar sobre a diáspora africana. Já foi apresentado em festivais e teatros de diversos estados brasileiros, além de Santiago do Chile e Guiana Francesa. Neste mês de novembro, o Estado Dramático traz o espetáculo novamente à cena para inaugurar um novo projeto: a Carretinha Itinerante Estado Dramático. Com um palco móvel, o grupo passa a levar até o público toda a estrutura necessária para essa experiência artística. “A proposta é descentralizar e ampliar o alcance do teatro e de nossas pesquisas em direção aos mais diversos públicos, chegando às ruas, às universidades, às cidades do interior aliando essa capacidade de mobilidade do teatro à qualidade necessária para a experiência artística que o grupo propõe”, afirma Maurício Assunção.
Além de Casa de Ferro o Grupo Estado Dramático trabalha para lançar ainda este ano outros dois espetáculos que irão integrar o repertório da Carretinha Itinerante: CRI – o homem e o tempo e Valadão Munda o Mundo. Ambos já estão em fase de produção e de ensaios.
Mais sobre Casa de Ferro
A pesquisa cênica de Casa de Ferro foi baseada nas danças dos orixás e na capoeira de angola na cidade de Salvador – BA; no folguedo do Nego Fugido na região de Santo Amaro – BA; em Quilombos do interior de Alagoas; no frevo de Recife – PE; na Luta de Cristãos e Mouros na cidade do Prado – BA e o Baile de Congo de São Benedito (Ticumbi) na cidade de Alcobaça – ES.
Nestas expressões populares, a movimentação corporal apreendida pelo intérprete foi aplicada no processo criativo através da técnica do fluxorgânico, um trabalho de sensibilização dos sentidos corporais tomando como base a respiração e o trabalho sonoro, utilizando para isso, de muita imaginação – imagem transformada em ação – para então, modificar o tempo, o ritmo, a sonoridade, a dilatação, o espaço e a expressividade de um corpo-sonoro revelando um Estado Dramático.
Na linha de pesquisa do grupo o corpo-sonoro dos intérpretes executam a dramaturgia do espetáculo e as nuances da encenação. O corpo e o som transbordam a linguagem expressiva cotidiana e criam ambientes e sentimentos sonoro-corporais, utilizando-se de sons guturais e melódicos, em um corpo num estado alterado e dramático, no intuito de espetacularizar a criação cênica e dar vida real a um ser, um ente. Além disso, a investigação cênica do grupo agrega a esse corpo sonoro elementos do teatro físico, do circo, da máscara e da dança.
Grupo estado dramático
Criado em 2003, pelo artista Maurício Assunção, o grupo Estado Dramático tem uma linha de pesquisa na qual o corpo sonoro do interprete estrutura a cena a partir da representação de sentimentos. Em seus 13 anos de existência, o grupo já levou à cena espetáculos como Casa de Ferro, Redimunho, O Principito, Valadão e o Oráculo da Lua e atualmente prepara duas novas produções: CRI – o homem e o tempo e Valadão muda o mundo.
O grupo conta com uma estrutura própria para levar seus espetáculos aos mais diversos espaços. Trata-se da Carretinha Itinerante Estado Dramático, um palco móvel com toda estrutura de som e iluminação preparada para proporcionar ao público, onde quer que esteja, uma rica experiência artística.
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