Após homologação, aumenta pressão por quebra de sigilo das delações da Odebrecht

Ministério Público, OAB e grupos políticos querem que as 77 delações de executivos da construtora Odebrecht sejam divulgadas. As revelações atingem ministros do governo e partidos.

A decisão da presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, de homologar as 77 delações da Odebrecht, repercutiu positivamente no meio político. Em entrevista à imprensa, o presidente Michel Temer disse que a ministra agiu corretamente. “Acho que ela fez o que deveria fazer e, nesse sentido, fez corretamente”, declarou.

Nos bastidores, o governo teme que as delações sejam levadas a público e comemora reservadamente a permanência do sigilo no caso. Mas a pressão para que os documentos percam o sigilo só aumentaram. A Procuradoria-Geral da República (PGR) pretende pedir ao STF a quebra do sigilo, mas ainda não definiu data para fazê-lo.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Claudio Lamachia, declarou que a pronta continuidade do andamento dos processos da Lava Jato atende anseio da sociedade por justiça. Mas, para ele, o sigilo das delações deve ser retirado. “É preciso que fique bastante claro a toda sociedade o papel de cada um dos envolvidos, sejam da iniciativa privada ou dos setores públicos. Nessas horas, a luz do sol é o melhor detergente”, disse.

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), disse à RFI Brasil que a prioridade do partido é que haja divulgação. “A simples homologação termina favorecendo vazamentos seletivos de A, B ou C, e é importante que se tenha conhecimento global das delações”, declarou.

Já o deputado Rubens Bueno (PPS-PR) é contra a quebra do sigilo. Ele defendeu a postura da presidente do STF. “Ela agiu corretamente e ao mesmo homenageou o ministro Teori. A Lava Jato é um patrimônio do povo brasileiro e o judiciário tem consciência disso”, afirmou à rádio.

Ministério Público pode abrir novos inquéritos

A documentação com as 77 delações foi encaminhada para a Procuradoria-Geral da República, que vai analisar o conteúdo das colaborações. O órgão pode abrir novos inquéritos ou distribuir as delações em inquéritos já abertos. Em caso de fatos envolvendo pessoas sem foro privilegiado, a PGR pode pedir para que a Suprema Corte envie o material para outras instâncias.

A delação dos executivos da Odebrecht é considerada a mais relevante da Operação Lava Jato e tem provocado ansiedade no mundo político.

*Por Luciana Marques, correspondente da RFI Brasil.


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