Ministra Cármen Lúcia inicia conversas informais sobre futuro da Lava Jato no STF

Cármen Lúcia Antunes Rocha, presidente do Supremo Tribunal Federal.
Cármen Lúcia Antunes Rocha, presidente do Supremo Tribunal Federal.

Terminado o período de luto oficial pela morte do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki, a presidente da Corte, Cármen Lúcia, começou nesta segunda-feira (23/01/2017) a fazer consultas informais aos colegas ministros sobre o futuro da Operação Lava Jato no STF.

Em conversas reservadas, a ministra busca uma solução consensual para encontrar um substituto para relatar os processos da operação, que estavam sob a responsabilidade de Teori, morto na semana passada em um acidente de avião em Paraty (RJ).

Além de procurar alguns ministros informalmente, Cármen Lúcia foi ao gabinete de Teori conversar com servidores e os juízes auxiliares do ministro sobre o andamento do processo de homologação das delações de executivos da empreiteira Odebrecht. Segundo os auxiliares, a análise dos depoimentos está avançada. Teori estava prestes a homologar os depoimentos. A decisão estava prevista para fevereiro.

Trabalho suspenso

Com a morte do ministro, o trabalho dos juízes auxiliares e dos funcionários com os documentos da Odebrecht foi suspenso, já que eles executavam as tarefas com autorização delegada por Teori. Após o trágico acidente, a delegação para executar os trabalhos cessou, o que impede a continuidade da análise.

Em função do período de recesso na Corte, que termina na semana que vem, Cármen Lúcia poderá conceder uma autorização temporária para que os servidores voltem a atuar nos processos da Lava Jato. No entanto, não há previsão sobre quando a medida será tomada.

Além de resolver a questão emergencial sobre a retomada do andamento da Lava Jato, a presidente do STF precisa decidir sobre a redistribuição das ações a outro integrante da Corte. No entanto, ainda há dúvidas se a distribuição será feita entre todos os integrantes do STF ou somente entre os ministros da Segunda Turma, colegiado do qual Teori fazia parte. O regimento interno do Supremo autoriza as duas possibilidades.

Janot

Em conversa reservada, Cármen Lúcia recebeu o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para uma audiência no fim da tarde. Janot é o chefe das investigações da força-tarefa de procuradores que atua na Lava Jato. Oficialmente, o encontro foi justificado para “prestar condolências oficiais”.


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