O economista e professor Luiz Gonzaga Belluzo atacou o protagonismo do poder Judiciário observado no Brasil e afirmou que a operação Lava Jato ataca o Estado indutor do desenvolvimento, colocando o país na contramão do Mundo. Ele falou durante o seminário “O que a Lava Jato tem feito pelo Brasil”, realizado nesta sexta-feira (24/03/2017).
“Eu, como filho de um magistrado, todo dia acordo com dor no coração ao ver o protagonismo do Poder Judiciário no seu conjunto”, disse Belluzo. “Essa é uma das maiores desgraças que podem acontecer ao país, porque na verdade esse protagonismo significa que o Judiciário se transforma em uma casta que se encarrega de aplicar lições morais”, afirmou.
Para o economista, esse cenário é fruto do avanço de um outro poder, que não é percebido no desempenho das burocracias de estado, mas que está por trás das mudanças das economias capitalistas nos últimos 30 anos. “É um poder que não diz seu nome, é o poder dos mercados financeiros, que se esconde por trás desses protagonismos”, explica.
Belluzo afirma que desde os anos 90, assistimos a uma desconstrução das instituições de coordenação da economia brasileira, que começou com os programas de privatização. “A industrialização brasileira foi construída através da articulação do Estado com suas empresas e o setor privado”, defende o economista.
Segundo o economista, o projeto da industrialização foi abandonado nos anos 1990, “a partir das influencias neoliberais, porque o neoliberalismo não é regime de desregulamentação, é regime de regulamentação para apropriação do Estado pelos interesses privados”.
Ele explica que se multiplicam regras para afirmar a preeminência do setor privado sobre o interesse público. “Isso se manifesta pelo desmonte do estado. A destruição das empresas de construção pesada é um fenômeno que tem a ver com essa ‘rerregulamentação’, para destruir a capacidade de gerir os próprios processos de desenvolvimento”, defende.
Por fim, Belluzo defendeu que é preciso “exigir nas ruas o respeito aos princípios do Estado de direito e a preservação da capacidade do Estado brasileiro articular o desenvolvimento”. Para ele, a Lava Jato é apenas a culminação, “uma forma que assumiu essa destruição do Estado brasileiro na economia”.
“Não é problema de macroeconomia apenas, é um problema de construção das instituições, que precisamos reconstruir para que a economia brasileira siga crescendo. Estamos vendo a destruição da capacidade produtiva brasileira e sem indústria nenhum país vai para frente”, concluiu o economista.
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