Relatora da ONU diz que moradia não pode se tornar fonte de lucro para ricos

Relatora especial Leilani Farha.
Relatora especial Leilani Farha.

Leilani Farha afirmou que propriedades representam hoje quase a metade de todos os ativos globais do mercado financeiro, mais que o dobro de Produto Interno Bruto, PIB, global.

A moradia não pode ser reduzida a uma fonte de lucro para os ricos. A opinião é da relatora da ONU para o direitos à moradia adequada, Leilani Farha.

Num relatório, apresentado ao Conselho de Direitos Humanos, ela criticou as consequências do que chamou de um “mercado imobiliário que coloca a especulação acima dos direitos humanos tornando as propriedades inacessíveis para a maioria das famílias”.

Função social

Farha está em Genebra, sede do Conselho, para a 34ª. sessão regular do órgão. Segundo a relatora, a moradia perdeu sua função social e passou a ser vista como um veículo para riqueza e lucros. A relatora da ONU disse que a transformação da moradia numa mercadoria “rouba a conexão da casa com a comunidade, a dignidade e a ideia da propriedade como um lar”.

O relatório também examina como a moradia representa quase metade de todos os ativos globais e mais que o dobro do PIB mundial.

Leilani Farhi acredita que o mundo financeiro tem operado sem qualquer consideração da moradia com um direito humano e segundo ela, os países são cúmplices nesta equação. Para a relatora, os Estados estão apoiando os mercados financeiros a tornarem as moradias inacessíveis para a maioria dos cidadãos.

Prestação de contas

A relatora acredita que esta é uma questão de prestação de contas, e que governos não devem trocar o compromisso que têm com as obrigações de direitos humanos pela lealdade a mercados e investidores.

Para Leilani Farhi, os países devem regular os agentes privados não apenas para evitar violações de direitos humanos, mas para assegurar que as ações deles são consistentes com a realização do direito à moradia para todos.

Ela lembrou ainda que milhões de pessoas estão sendo despejadas por não poderem arcar com o financiamento de suas propriedades, uma outra fonte de despejo são novas construções e até os altos preços cobrados pelos mercados imobiliários de grandes centros urbanos.

Leilani Farha afirmou que de acordo com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, os países devem fornecer moradia adequada a todos até 2030.

A relatora deve ainda apresentar ao Conselho de Direitos Humanos o resultado de suas visitas oficiais à Índia e a Portugal.

*Com informação da Radio ONU.


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