As previsões do FMI sobre o futuro da economia brasileira

Segundo o relatório do FMI, uma das razões da volta do crescimento a partir de 2017, após dois anos de retração, seria o aumento do preço internacional das commodities, das quais o Brasil é um grande exportador.
Segundo o relatório do FMI, uma das razões da volta do crescimento a partir de 2017, após dois anos de retração, seria o aumento do preço internacional das commodities, das quais o Brasil é um grande exportador.

A retomada no crescimento da economia brasileira será mais lenta, afirma o FMI (Fundo Monetário Internacional), que divulgou nesta terça-feira seu relatório de previsões sobre a economia mundial.

O documento traz uma redução nas expectativas para este ano, mas indica um prognóstico melhor para 2018. Além disso, defende as reformas propostas pelo governo Michel Temer e aponta a “redução da incerteza política” como um dos fatores da recuperação.

Segundo o relatório, uma das razões da volta do crescimento a partir de 2017, após dois anos de retração, seria o aumento do preço internacional das commodities, das quais o Brasil é um grande exportador – entre os itens citados estão o petróleo, o gás natural e o carvão.

  1. Brasil voltará a crescer, mas lentamente

De acordo com o FMI, o crescimento será de 0,2% em 2017 e de 1,8% em 2018. Os novos índices representam uma queda de 0,3% e um aumento de 0,2%, respectivamente, em relação às previsões divulgadas em 2016.

De acordo com o Fundo, a “recuperação gradual” seria sustentada pela “redução da incerteza política”, pela política monetária de compra de títulos pelo Banco Central visando baixar os juros e pelo “futuro progresso da agenda reformista”.

A previsão de crescimento caiu para a América Latina como um todo, mas a situação varia muito de país para país.

Espera-se que o aumento do preço das commodities continue beneficiando países exportadores dessas mercadorias, mas há uma ressalva: economias maiores estão mais à mercê de sua situação interna.

  1. Inflação deve continuar caindo

Embora a inflação deva aumentar na maioria dos países, esse não será o caso do Brasil, segundo o FMI. O fato de o nosso PIB (Produto Interno Bruto) estar abaixo do seu potencial – e haver muitos desempregados – pressiona a inflação para baixo.

De acordo com o Fundo, há também a redução dos efeitos de três fatores que contribuíram, no passado, para o aumento de preços: a desvalorização do real, a variação brusca dos preços de commodities e o aumento de custos administrativos.

No resto mundo, espera-se que os preços subam tanto nos países desenvolvidos quanto nos mercados emergentes. A mudança está atrelada ao aumento nos preços das commodities.

  1. Economia depende da implementação de “ambiciosas reformas estruturais”

O FMI faz a defesa das políticas propostas pelo governo Temer. Para a organização, “as perspectivas macroeconômicas do Brasil dependem da implementação de ambiciosas reformas estruturais econômicas e fiscais”.

O presidente conseguiu promulgar no final do ano passado, após duas rodadas de votações na Câmara e no Senado, uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) limitando o crescimento dos gastos federais nos próximos 20 anos.

No final de março, Temer sancionou mudanças nas regras de terceirização, possibilitando que ela seja empregada em qualquer atividade empresarial.

Agora, a equipe do presidente se esforça para aprovar uma Reforma da Previdência, fazendo com que o brasileiros demore mais para se aposentar.

O FMI aprova: “Para dar apoio à consolidação fiscal de médio prazo, o foco deveria ser em reformas que tratam das despesas não sustentáveis, como o sistema de seguridade social”, diz o texto.

O relatório traz mais sugestões: resolver gargalos de infraestrutura, simplificar impostos e reduzir barreiras ao comércio.

  1. Crise fiscal continuará a piorar em alguns Estados

Embora o Brasil como um todo deva sair gradualmente da recessão neste ano, a realidade vai variar de Estado para Estado, até porque o crescimento do país como um todo é pequeno.

De acordo com o FMI, estava claro, no final de 2016, que investimentos e produção continuariam caindo, “enquanto as crises fiscais continuam a se agravar em alguns Estados”.

*Com informação da BBC Brasil.


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