EUA impõem sanções econômicas diretas ao presidente da Venezuela Nicolás Maduro

Nicolás Maduro Moros, presidente da República Bolivariana da Venezuela.
Nicolás Maduro Moros, presidente da República Bolivariana da Venezuela.
Nicolás Maduro Moros, presidente da República Bolivariana da Venezuela.
Nicolás Maduro Moros, presidente da República Bolivariana da Venezuela.

O governo dos Estados Unidos impôs nesta segunda-feira (31/07/2017) sanções econômicas diretas contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, entre elas o congelamento de ativos sob jurisdição americana. A medida foi anunciada pelo Departamento do Tesouro dos EUA um dia após a eleição da Assembleia Nacional Constituinte na Venezuela. A informação é da EFE.

“As eleições ilegítimas de ontem confirmam que Maduro é um ditador que ignora a vontade do povo venezuelano”, afirmou em comunicado o secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin.

“Sancionando Maduro, os EUA deixam claro sua oposição às políticas desse regime e o nosso apoio às pessoas da Venezuela que procuram devolver uma democracia completa e próspera para o país”, completou a nota.

Com a sanção, foram congelados todos os ativos que Maduro possa ter sob jurisdição americana. Cidadãos dos EUA também estão proibidos de fazer qualquer transação com o presidente venezuelano.

Dessa forma, os EUA acrescentaram Maduro na lista de 13 servidores e ex-servidores venezuelanos punidos na semana passada por abusos de direitos humanos, corrupção ou de ações para minar a democracia no país.

Mcnuchin disse que o caminho para mais sanções contra funcionários do governo venezuelano está aberto. “Qualquer pessoa que participe dessa ilegítima Assembleia Nacional Constituinte pode estar exposto a futuras sanções por minar o processo democrático e as instituições na Venezuela”, afirmou.

Parlamento venezuelano comemora “derrota” do governo na Constituinte

O Parlamento da Venezuela, de maioria opositora, comemorou hoje (31) o que considerou como uma “derrota” do governo de Nicolás Maduro nas eleições da Assembleia Nacional Constituinte realizadas neste domingo. Segundo o Legislativo, os resultados da eleição foram “inventados”. A informação é da agência EFE.

“A realidade política é que ontem o povo venezuelano derrotou o governo de maneira contundente”, disse o presidente da Assembleia Nacional Venezuelana, o opositor Julio Borges, que indicou que esta derrota deve dar “mais força e determinação” aos venezuelanos para “continuar na luta”.

Borges deu estas declarações a jornalistas na sede do palácio legislativo, ao qual chegaram desde muito cedo os deputados opositores para resguardar o recinto, perante a possibilidade que fosse tomado pelo oficialismo para instalar a Assembleia Constituinte eleita ontem, com o apoio único do chavismo. Logo após a chegada dos parlamentares opositores, um grupo de coletivos ligados ao governo rodeou o Parlamento e impediu a entrada de fotógrafos e de outros jornalistas.

Borges disse que “este passo final” do governo de ter avançado com a Constituinte para mudar a Carta Magna apesar da rejeição da oposição e do chavismo crítico, mostra que se trata de “um governo tão desesperado, tão débil que tem que inventar oito milhões de votos que não existem”.

Por sua parte, o deputado Henry Ramos Allup disse esperar que “não pretendam dissolver um poder eleito legitimamente” como é a Assembleia Nacional. No entanto, poucos minutos após o Poder Eleitoral anunciar os resultados das eleições para a Constituinte, o presidente Nicolás Maduro assegurou que o Parlamento devia ser “revisado” e a imunidade de alguns parlamentares suspensa.

“Nós vamos continuar cumprindo com os nossos deveres aqui e em qualquer lugar. Se tomarem de assalto, pelas armas como costumam fazer, o palácio legislativo, nós temos que fazer sessões em outro lugar”, comentou o deputado Ramos Allup.

A Constituinte foi eleita ontem em meio a grandes protestos, reprimidos pelas forças de segurança, deixando um saldo de pelo menos 10 mortos, segundo dados do Ministério Público.

Eleição de Assembleia Constituinte venezuelana é rejeitada por vários países

A oposição venezuelana convocou para hoje (31) um protesto contra a Assembleia Nacional Constituinte que, a partir desta semana, começa a reescrever as regras do país. A eleição dos 545 constituintes, nesse domingo (30), foi marcada pela violência. Segundo o Ministério Publico , dez pessoas morreram em enfrentamentos entre manifestantes e as forcas de segurança  – entre elas, um sargento e dois adolescentes.

A eleição começou na hora marcada – sem a participação da oposição e apesar das pressões internacionais. Até a véspera, vários governos – entre eles o brasileiro – pediram ao presidente Nicolás Maduro que cancelasse a polêmica Constituinte, para evitar o risco de uma guerra civil. Mas Maduro insiste que a proposta dele é a única solução pacífica para a crise numa Venezuela dividida, que há mais de um ano enfrenta recessão, desabastecimento e uma inflação superior a 700%.

Maduro foi o primeiro a votar, às 7h (horário de Brasília), “pela paz”.  No fim do dia – um dos mais violentos desde o início da nova onda de protestos, em abril – o governo comemorou a vitória. Pelas suas contas, 8 milhões de venezuelanos (41,5% do eleitorado) participaram da votação. A oposição, que fez campanha pelo boicote, acusa o governo de manipular as cifras e alega que o número de eleitores não passou de 3 milhões.

O governo considera que uma alta participação legitima a Assembleia Constituinte, denunciada como “uma fraude” pela oposição. Segundo os opositores, a reforma constitucional não passa de uma manobra de Maduro para ampliar seus poderes e se perpetuar no cargo.  Os 545 constituintes são governistas – até porque a oposição não apresentou candidatos, nem votou. E eles terão poderes para dissolver o Parlamento, de maioria opositora, além de definir quando e como serão realizadas novas eleições.

Vários governos anunciaram no domingo que não reconhecem a Assembleia Constituinte da Venezuela. O governo dos Estados Unidos ameaçou adotar novas sanções, que podem incluir a redução de suas importações de petróleo – o maior produto de exportação venezuelano.

 “Seguiremos adotando medidas duras e enérgicas contra os artífices do autoritarismo na Venezuela, incluindo aqueles que participem da Assembleia Nacional Constituinte”, disse um comunicado divulgado ontem pelo Departamento de Estado norte-americano.

O Peru convocou para o próximo dia 8 uma reunião de chanceleres de 11 países (Brasil, Argentina, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Honduras, México, Panamá e Paraguai) para discutir a “violenta repressão” na Venezuela, que em quatro meses de protestos resultou na morte de mais de 100 pessoas. Os  governos da Bolívia e de El Salvador manifestaram apoio à Assembleia Constituinte venezuelana.

Governo Temer desaprova nova Constituinte na Venezuela e pede que não seja instalada

O governo brasileiro criticou a decisão do governo venezuelano de convocar a Assembleia Constituinte, mesmo diante do pedido da comunidade internacional pelo seu cancelamento. Em nota, o Itamaraty informou que o Brasil lamenta a convocação da Constituinte “nos termos definidos pelo Executivo” da Venezuela e solicita que a assembleia não seja instalada.

“Diante da gravidade do momento histórico por que passa a Venezuela, o Brasil insta as autoridades venezuelanas a suspenderem a instalação da assembleia constituinte e a abrir um canal efetivo de entendimento e diálogo com a sociedade venezuelana, com vistas a pavimentar o caminho para uma transição política pacífica e a restaurar a ordem democrática, a independência dos Poderes e o respeito aos direitos humanos”, diz a nota.

De acordo com a chancelaria brasileira, a “iniciativa do governo de Nicolás Maduro viola o direito ao sufrágio universal, desrespeita o princípio da soberania popular e confirma a ruptura da ordem constitucional na Venezuela”. Para o Itamaraty, o país já dispõe de uma Assembleia Nacional legitimamente eleita e uma nova assembleia formaria “uma ordem constitucional paralela, não reconhecida pela população, agravando ainda mais o impasse institucional que paralisa a Venezuela”.

A oposição venezuelana convocou para hoje (31) um protesto contra a Assembleia Nacional Constituinte que, a partir desta semana, começa a reescrever as regras do país. A eleição dos 545 constituintes, ontem, foi marcada pela violência. Segundo o Ministério Publico da Venezuela, dez pessoas morreram em enfrentamentos entre manifestantes e as forças de segurança  – entre elas, um sargento e dois adolescentes.

A nota ressalta também que o governo brasileiro está preocupado com a escalada da violência em face do acirramento da crise naquele país, “agravada pelo avanço do governo sobre as instâncias institucionais democráticas ainda vigentes no país e pela ausência de horizontes políticos para o conflito”. O Brasil condena o cerceamento do direito constitucional à livre manifestação e repudia a violenta repressão por parte das forças do Estado e de grupos paramilitares, durante a votação para a escolha dos constituintes nesse domingo (30).

Legislativo

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), também divulgou nota lamentando a decisão do governo da Venezuela. Maia afirmou que Maduro ignorou os apelos da comunidade internacional, incluindo o comunicado dos chefes de Estado do Mercosul e violou as normas da Constituição vigente no país.

Maia diz ainda que a assembleia é ilegítima e que “não reconhecerá, nem dará validade a qualquer ato jurídico” que resultar da nova constituinte. O presidente reafirmou que o Parlamento brasileiro reconhece apenas a assembleia nacional já constituída no país.

 


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Facebook
Threads
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading

Privacidade e Cookies: O Jornal Grande Bahia usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso deles. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, consulte: Política de Cookies.