Nova Vara da Justiça pela Paz em Casa amplia rede de proteção à mulher em Salvador, anuncia desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago, presidente do TJBA

Desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago e a ministra Cármen Lúcia inauguram, em Salvador, Vara da Justiça pela Paz em Casa.
Desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago e a ministra Cármen Lúcia inauguram, em Salvador, Vara da Justiça pela Paz em Casa.

O combate da violência contra a mulher ganhou reforço nesta sexta-feira (18/08/2017) com a 3ª Vara da Justiça pela Paz em Casa, instalada no início da tarde pela presidente do Tribunal de Justiça da Bahia, desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago, e pela presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça, ministra Cármen Lúcia.

A unidade localizada na sede do Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge), na Avenida Luiz Viana Filho, chega com o objetivo de atender a demanda processual relativa a casos de violência doméstica familiar crescente nas varas especializadas já existentes. “Em trâmite, atualmente, temos 10,8 mil processos, sendo que só este ano 3,2 mil novas ações foram abertas”, disse a presidente da corte.

Ela também avaliou que os números apontam a propagação e divulgação da violência de gênero e de uma tomada de posição da mulher, que começa a entender que é protagonista dos seus próprios direitos. “Se pudermos combater a violência promovendo a paz, é isso que faremos. Ou melhor, já estamos fazendo”, afirmou.

A ministra Cármen Lúcia elogiou a iniciativa de instalação da unidade e destacou a necessidade de um atendimento mais ágil em matérias relativas à violência contra mulheres e crianças no espaço doméstico. “Em um Estado como o brasileiro, com quase 80 milhões de processos em andamento e 16 mil juízes em exercício, temos que encontrar maneiras de recriar a prestação jurisdicional para que seja eficaz no sentido de restaurar a paz social”, opinou.

A juíza titular da nova unidade, Marta Moreira, afirma que a 3º Vara funcionará dentro da perspectiva de aplicação da justiça restaurativa. “Estamos saindo desses crimes de menor potencialidade e trazendo essa nova forma de trabalho para também ser incluída nos casos de violência contra a mulher”, avaliou.

Ela salienta que a justiça restaurativa atualmente já é aplicada nos juizados criminais em casos de menor potencialidade que envolvem relações caracterizadas pela proximidade, como as entre vizinhos. “Nas varas de violência doméstica, a justiça restaurativa não tem o objetivo de extinguir o processo. O processo irá seguir, mas temos a intenção de restaurar as partes envolvidas, evitando que em outros relacionamentos esses episódios de violência voltem a acontecer”, explicou.

O professor Ricardo Malfatti, coordenador do curso de Direito da Unijorge, avalia que a parceria é fundamental para a formação dos alunos da instituição. Os discentes poderão estagiar na unidade, assessorando os juízes durante o atendimento ao público, e serão capacitados para atuar como facilitadores na solução de conflitos. “Há um ano que já temos projetos relacionados a justiça restaurativa sendo desenvolvido por alunos, com três de nossos professores”, disse.

Em breve pronunciamento, a desembargadora Nágila Brito, responsável pela Coordenadoria da Mulher do TJBA, destacou a figura da ministra Cármen Lúcia como principal inspiração para a instalação da unidade. “A mulher é o nosso sujeito de direito por excelência. A justiça restaurativa é um instrumento a mais para ajudar as mulheres a superarem suas crises, vivendo sem violência. Porque todos nós nascemos para sermos felizes”, afirmou. Ao final do discurso, emocionada, recebeu um demorado abraço da ministra.

Em seguida, a desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago e a ministra Cármen Lúcia descerraram a placa de inauguração e, depois, visitaram as instalações da unidade.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.



Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading