Historiador defendeu, em vida, 14 de agosto e não 18 de setembro como data maior de Feira de Santana | Por Adilson Simas

Em Feira de Santana, a procissão da ‘Vitória’, em comemoração ao final da 2ª Guerra Mundial, contou com a Imagem do Senhor do Bonfim, que, pela primeira vez, deixava a Basílica em Salvador. (Imagem do arquivo do IBGE)
Em Feira de Santana, a procissão da ‘Vitória’, em comemoração ao final da 2ª Guerra Mundial, contou com a Imagem do Senhor do Bonfim, que, pela primeira vez, deixava a Basílica em Salvador. (Imagem do arquivo do IBGE)

O professor, historiador e poeta popular Joaquim Gouveia da Gama, que faleceu já nonagenário, em abril de 2015, deixou entre suas inúmeras pesquisas, o caso da “Instalação e posse da Câmara Municipal que não houve”. Vale a pena lembrar o texto de Joaquim Gouveia, já que a data da sessão que não aconteceu, tem tudo a ver com o recente artigo do professor Joselito Amorim, publicado na imprensa e em redes sociais, sobre as datas mais importantes da Feira de Santana.

Câmara: instalação e posse que não houve

Joaquim Gouveia da Gama

É bom saber que a data marcada para a instalação da Vila e sua Câmara de Vereadores não foi no dia 18 de setembro e sim o dia 14 de agosto de 1833. Porém houve um movimento político de protesto contra a eleição de alguns vereadores acusados de terem sido eleitos irregularmente.

Dois deles (o Capitão Manoel da Paixão Bacelar e Castro e o Alferes Vicente Ferreira Araújo Campos) acusados de criminosos e terem processo na Justiça e outro (Sr. Francisco Caribé Morotova) por não morar na Feira de Santana, isto é, não ter aqui seu domicílio eleitoral que era de dois anos.

Também o arraial de Bento Simões, da Freguesia do Pedrão enviou uma representação a Cachoeira, protestando contra as irregularidades havidas na primeira eleição realizada na Feira de Santana.

Ainda outro fato político ocorreu: o “próprio” enviado pela Câmara de Cachoeira com os documentos enviados aos novos vereadores eleitos (documentos eleitorais) foi assaltado e os documentos sequestrados por dois ladrões, próximo ao Rio Açu, no lugar de nome Belém, na estrada Cachoeira/Feira.

Entre os documentos sequestrados, um ofício avisando que a posse dos vereadores seria no dia 14 de agosto de 1833.

Mesmo com esses acontecimentos, o presidente (interino) da Câmara de Cachoeira, achou por bem cumprir a Resolução de 09 de maio de 1833, do Conselheiro de Governo da Província da Bahia e do Decreto Imperial, de 13 de novembro de 1832.

No dia 14 de agosto, como estava anunciado, o presidente e o secretário chegaram a Feira de Santana e tentaram fazer a instalação da nova Câmara, porém a instalação não foi possível, porque os ânimos se acirraram, o clima se tornou tenso, de modo que o presidente resolveu adiar a posse para outra oportunidade.

Um boato surgiu de que um partido se formara munido de pólvora, balas e dinheiro para impedir a posse dos que foram ilegalmente eleitos. Do mesmo modo, outro partido se formara para garantir a posse dos impugnados.

O presidente e o secretário voltaram a Cachoeira. O presidente, achando-se incapaz para resolver problema tão delicado, enviou ofício ao Presidente da Província, pedindo para ele resolver a questão.

O Presidente da Província achou por bem anular a eleição do Alferes Vicente Ferreira de Araújo Campos, entrando em seu lugar o Capitão Joaquim José Pedreira Mangabeira e substituindo Francisco Caribé Morotova pelo filho, Joaquim Caribé Morotora.

O Capitão Manoel Paixão Bacelar e Castro continuou por ter apresentado documento provando não estar sendo processado pela Justiça.

Assim a instalação da Vila. Que seria em 14 de agosto, foi adiada para 18 de setembro de 1883.

*Adilson Simas é jornalista.


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