Walter Maierovitch: influência do PCC na eleição abre espaço para candidatos oportunistas como Bolsonaro | Por Sérgio Jones

Wálter Fanganiello Maierovitch é um jurista e professor brasileiro. Atualmente comenta no quadro Justiça e Cidadania na Rádio CBN.
Wálter Fanganiello Maierovitch é um jurista e professor brasileiro. Atualmente comenta no quadro Justiça e Cidadania na Rádio CBN.

De acordo com entrevista concedida pelo desembargador aposentado Walter Maierovitch, recentemente, a um conceituado órgão da imprensa brasileira, ele deixou transparecer a sua preocupação de que facções criminosas tipo PCC possa influenciar o resultado da eleição deste ano. E admite que  a situação piorou com relação à segurança pública. E aproveita para citar dois dados de identificação de organizações criminosas de matriz mafiosa. “ O que faltava ao PCC – e ainda falta – é a transnacionalidade. A situação piorou porque o PCC passou a atuar transfronteiricamente – nas fronteiras e do lado de lá das fronteiras no Paraguai e na Bolívia. Então aumentou sua musculatura”.

Quanto à possibilidade real de que o PCC tem o poder de influenciar as eleições de 2018, garante que ela existe. E cita como exemplo fato ocorrido em São Paulo, onde houve um tempo em que o PCC ousou lançar um candidato a vereador, a situação não prosperou devido ao candidato ter sua candidatura impugnada.

Outra considerável abordagem feita pelo entrevistado é que possíveis ataques perpetrados por estas organizações criminosas em pontos estratégicos no período eleitoral, ou no dia da eleição, vão fazer com que as pessoas tenham medo de votar e não se desloquem. Além de que deve ser levado em consideração o fato de que no Brasil, presos provisórios não perdem direitos políticos, porque não têm condenação definitiva. E como o sistema prisional brasileiro não faz separação entre presos provisórios e definitivos, esses presos vão para cadeias dominadas pelo crime organizado e podem ser facilmente cooptados para votar em candidatos apoiados pelas facções.

O desembargador aposentado garantiu que as facções podem querer expandir sua influência como já ocorre em São Paulo com o famoso acordo entre o PCC e o governo do Estado. “A polícia não vai à periferia, onde o PCC atua livre, leve e solto. Há uma lei do silêncio na periferia de São Paulo. Isso significa o controle do território, não ser importunado pela polícia, ter facilidade no tráfico de drogas”. Além do fato de que o governo e judiciários não estão preparados para combaterem este fenômeno que se expande pelo Brasil cada vez mais, o que o mostra despreparo do governo federal, que deixa a questão para os Estados, como se não se tratasse de um fenômeno que ataca o Estado Democrático de Direito.

No decorrer da entrevista, ele deixa transparecer de forma peremptória a falta de vontade por parte do governo federal em combater de forma efetiva esta modalidade de crime e cita como exemplo o caso emblemático do Rio de Janeiro: “Houve uma época em que o governo federal ameaçou entrar para resolver a situação, e o então governador Anthony Garotinho queria comandar o Exército. O governo federal não se impôs”.

Outro ponto em que ele fez questão de abordar foi com relação ao crescimento e o surgimento de candidatos políticos que tentam obter vantagens da situação. “Hoje se fala em anticorrupção e em endurecimento das leis, porque a população sente a corrupção, viu o que houve com a Lava Jato, vê um presidente da República sob o odor da corrupção. É um quadro difícil, em que a população vive um clima de fla-flu. É o caldo perfeito para surgirem oportunistas como Bolsonaro”, pontua ele.

*Sérgio Antonio Costa Jones é jornalista (sergiojones@live.com).


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