EUA: Queda brutal da Bolsa de Wall Street balança mercados asiáticos e europeus

Medo de alta da inflação nos Estados Unidos provoca forte queda nas bolsas de valores mundiais.
Medo de alta da inflação nos Estados Unidos provoca forte queda nas bolsas de valores mundiais.

Mais um dia de nervosismo nos mercados mundiais. Depois de uma queda brutal de Wall Street na noite de segunda-feira (05/02/2018), as bolsas asiáticas seguiram a tendência do pregão de Nova York na manhã desta terça-feira (6) e fecharam no vermelho. Enquanto isso, os mercados europeus operam no negativo.

A Bolsa de Valores de Tóquio encerrou o pregão em queda de 4,73% – poucas horas depois de uma baixa de 4,06% em Wall Street. O índice Nikkei, que durante o dia chegou a operar em queda de 7%, perdeu 1.071.84 pontos na sessão. Esta foi a queda mais expressiva do índice desde a eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, em 2016.

Já a Bolsa de Xangai, principal mercado da China continental, fechou em uma queda expressiva de de 3,35% nesta terça-feira. A Bolsa de Shenzhen, a segunda mais importante do país, registrou baixa de 4,44%, enquanto Hong Kong recuou 5%.

Bolsas europeias no vermelho

Depois da Ásia, a turbulência em Wall Street chegou também à Europa. Na manhã desta terça-feira, a Bolsa de Paris opera em -3,43%, Londres em -3,5%, Frankfurt a -3,58%, -3,3% em Madri e -3,6% em Amsterdã.

“A Europa está diante de uma onda vermelha depois do banho de sangue nos mercados americanos” e “menos de duas semanas após um pico histórico” alcançado por Wall Street, avalia Jasper Lawler, analista na London Capital Group.

A principal preocupação dos mercados europeus nesta manhã é se essa baixa é passageira ou se terá continuidade nos próximos dias. A previsão dos analistas é que a tendência seja registrada pelo menos até o final desta semana até se estabilizar.

O sentimento, no entanto, é que “a liquidez é abundante e os investidores devem julgar rapidamente que essa baixa é mais saudável do que prejudicial” aos mercados, avaliam os economistas da francesa Aurel BGC. “Se novos sinais confirmarem que a inflação se acelera realmente nos Estados Unidos, a volatilidade pode permanecer mais forte por um longo período”, salientam.

Como explicar o fenômeno

O ano de 2018 começou bem para as bolsas mundiais, especialmente em Wall Street, que bateu uma série de recordes durante semanas. Mas a publicação, na última sexta-feira (2) do relatório mensal sobre o emprego nos Estados Unidos mudou repentinamente a situação. O documento, que destacava um aumento significativo dos salários do país em janeiro, teve um efeito devastador nos mercados ao provocar o temor de crescimento da inflação e, portanto, um aumento das taxas de juros mais rápida que o previsto.

A pressão sobre os juros, no entanto, acontece em um momento diferente das décadas de 70 e 80. Atualmente, a maioria dos países avançados estão fortemente endividados e os analistas ainda não conseguem prever se a inflação e os juros ficarão contidos, nem de que maneira os bancos centrais vão reagir caso percam o controle da pressão inflacionária.

Com informações da RFI.


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