
O paradoxo de todo o contexto social que impera ao longo da história em um país chamado Brasil pode-se resumir em uma simples, porém não de menor importância, observação: o presidente da república Michel Temer que enfrenta, até o presente momento, duas denúncias por atos e prática de corrupção, além de organização criminosa, ambas barradas de forma ainda mais criminosa pela despudorada Câmara dos Deputados, é o mesmo que ocupa o espaço da grande imprensa reacionária, a serviço de quem paga mais, para afirmar que o momento pede uma medida “extrema”. Visando derrotar o crime organizado. Tal pronunciamento se resume em falar de corda em casa de enforcado.
Mas esquece o mandatário de que o crime organizado não se encontra encastelado no seio do povo e sim nos altos escalões dos podres poderes dos quais ele e sua quadrilha fazem parte. Segundo observação feita por ele a intervenção, de acordo com o decreto, “é pôr termo a grave comprometimento da ordem pública no Estado do Rio de Janeiro” (art. 1º, § 2º).
Toda esta conversa não passa de uma falácia arquitetada e habilmente planejada para promover, como muito bem afirma o sociólogo e presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Sérgio de Lima, “a intervenção é uma medida que vai deslocar a atenção por completo da pauta muito ruim da área que já era tocada por este governo. Um exemplo é o Plano Nacional de Segurança Pública, criado há um ano e que não obteve nenhum efeito prático. É um jogo profissional de xadrez habilidoso para atenuar um problema que não será resolvido agora e vai cair em cheio no colo do próximo presidente”.
Para a desgraça do povo brasileiro, quando o Estado faz a opção pelo uso da força para combater os segmentos sociais considerados mais vulneráveis, como nos casos dos pobres, negros e favelados – os mesmos que integram a grande maioria da população carcerária – são estes os principais alvos da repressão para atender os desejos, conscientes e inconscientes, dos grupos de bestas endinheiradas e da estúpida classe média conservadora e preconceituosa.
Na guerra em que o Estado resolve tratar seu povo como inimigo, nunca é demais lembrar que a burguesia não tem pátria, o grande perdedor de toda esta dantesca tragédia social é o povo, a democracia burguesa é relativa e só existe de fato para uma pequena parcela de privilegiados da sociedade que pode bancá-la em toda a sua plenitude. Somente através de uma política social adequada, que favoreça a erradicação da pobreza, que torne a educação realmente um direito de todos, que não permita ser a saúde um privilégio de poucos, não propiciando que crianças morram de fome. É que se poderá efetivamente tornar verdadeiramente possível alcançar o patamar do tão proclamado Estado democrático de direito. Que até o presente momento se apresenta como direitos de poucos em detrimento da grande massa de indigentes sociais que pululam este triste país dos trópicos, que ironicamente se diz abençoado por Deus.
*Sérgio Jones, jornalista (sergiojones@live.com)
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