Operação Cartão Vermelho: PF diz que Jaques Wagner teria recebido R$ 82 milhões desviados de obras da Fonte Nova; ex-governador nega e diz que declaração é para criar manchete de jornal; confira vídeo

A residência do ex-governador Jaques Wagner foi alvo de um mandado de busca e apreensão na Operação Cartão Vermelho, que investiga desvios da obra da Arena Fonte Nova
A residência do ex-governador Jaques Wagner foi alvo de um mandado de busca e apreensão na Operação Cartão Vermelho, que investiga desvios da obra da Arena Fonte Nova

A Superintendência da Polícia Federal na Bahia informou que o ex-governador da Bahia Jaques Wagner teria recebido R$ 82 milhões dos cerca de R$ 450 milhões desviados de obras do estádio Arena Fonte Nova. Na manhã de hoje (26/02/2018), policiais federais cumpriram sete mandados de busca e apreensão no âmbito da Operação Cartão Vermelho. Um deles foi na residência do ex-governador.

“Em razão das delações da Odebrecht e de material apreendidos na OAS, verificamos que, de fato, o então governador recebeu boa parte do valor desviado do superfaturado para pagamento de campanha eleitoral e de propina”, disse a chefe da Delegacia de Combate à Corrupção, Luciana Matutino.

De acordo com apurações feitas pela PF, as irregularidades beneficiaram o consórcio Fonte Nova Participações (FNP) – formado pelas empresas Odebrecht e OAS. As suspeitas apontam irregularidades em contratos envolvendo serviços de demolição, reconstrução e gestão do estádio.

Um laudo pericial da PF informa que o caso pode ter resultado em um superfaturamento que, em valores corrigidos, superaria R$ 450 milhões. Segundo a Polícia Federal, grande parte desses recursos teve como destino o pagamento de propina e financiamento de campanhas eleitorais.

“A pericia técnica viu que não só a licitação era direcionada, como os valores eram superfaturados. Oficiamos as empresas fornecedoras de materiais para obra e, a partir dos valores apresentados, verificamos que o mínimo de superfaturamento foi R$ 90 milhões. A partir do estudo contratado pelo consórcio, em razão de exigências do Tribunal de Contas, a perícia constatou que o valor superava R$ 200 milhões em 2009”, disse Luciana.

A delegada disse ainda que dois intermediários que participaram do esquema também foram alvo de busca. “Um desses intermediários é o atual secretário da Casa Civil do governo do estado [Bruno Dauster]. Outro, é um empresário muito próximo do então governador”. A maioria do material aprendido se refere a mídia, computadores e documentos que serão analisados nos próximos 15 dias.

Os mandados foram expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), com o objetivo de localizar e apreender “provas complementares dos desvios nas contratações públicas, do pagamento de propinas e da lavagem de dinheiro”. Em nota, o TRF1 disse que o caso tramita em segredo de Justiça, “razão pela qual não podemos repassar quaisquer informações adicionais”.

O PT classificou o episódio como “invasão”, relacionando o caso ao que chama de “campanha de perseguição contra o Partido dos Trabalhadores e suas principais lideranças”. A presidente do partido, Gleisi Hoffmann (PR), argumentou, em nota, que “a sociedade brasileira está cada vez mais consciente de que setores do sistema judicial abusam da autoridade para tentar criminalizar o PT e até os advogados que defendem nossas lideranças e denunciam a politização do Judiciário”.

Ex-governador nega

Durante entrevista coletiva concedida nesta segunda-feira (26/02/2018), na sede da secretária estadual de Desenvolvimento Econômico (SDE), o ex-governador e secretário estadual Jaques Wagner (PT/BA) comentou sobre a entrevista coletiva concedida hoje (26) por delegados da Polícia Federal (PF), oportunidade em que foi abordada a Operação Cartão Vermelho.

O ex-governador lamentou a afirmação da PF de que tinha recebido R$ 82 milhões em propina. “Não sei de onde eles tiraram esse valor. É uma declaração infundada, que apenas serve para virar manchete de jornal”, diz.

Sobre o valor investido e o custo de construção da Arena Fonte Nova, Jaques Wagner reafirmou que o preço do assento, dividido pelo valor total investido pelo Governo da Bahia, está entre os mais baixos do Brasil.

Confira vídeo


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