Eleições 2018: O DEM vai à luta | Por Tereza Cruvinel

Rodrigo Maia (DEM/RJ), presidente da Câmara dos Deputados.
Rodrigo Maia (DEM/RJ), presidente da Câmara dos Deputados.
Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados.
Rodrigo Maia (DEM/RJ), presidente da Câmara dos Deputados.

Aos trancos, o jogo sucessório vai se armando. Quem toca o tabuleiro hoje é o partido Democratas, lançando a candidatura do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que será mantida pelo menos até julho de 2018. Se ele deslanchar, será candidato. Se não, haverá tempo para composições. Temer e Geraldo Alckmin perdem com a jogada do DEM.

Maia rejeita o selo de candidato governista, embora tenha sido ator tão relevante para o impeachment e a sustentação de Temer, inclusive na batalha contra as duas denúncias. Agora, ele diz que defender o governo “seria defender o passado, e não o futuro”. O passado inclui o desgaste com o impeachment, que para boa parte dos brasileiros foi um golpe, as dores da recessão e do desemprego, que já haviam começado mas se agravaram, e reformas impopulares, como a trabalhista e a falecida previdenciária. Maia e o DEM lançam hoje um programa liberal mas com pitadas de preocupação social. Se o eleitorado será convencido do “aggiornamento” são outros 500.

Ele acerta ao se descolar do governo, onde só Temer e os chegados enxergam chances para um candidato de continuidade. Apesar da impopularidade abissal, com a intervenção no Rio Temer passou cogitar a reeleição. Agora, enfrentando dois inquéritos e a quebra do sigilo bancário, e quem sabe uma terceira denúncia, poderá, no máximo, patrocinar Henrique Meirelles, a quem o MDB oferece a legenda mas garante apenas uma “experimentação eleitoral”, como a que Maia fará.

Alckmin também perde porque, se Maia emplacar, não contará com o aliado histórico , a quem vinha oferecendo a vaga de vice. O DEM lhe daria palanque em estados onde terá candidato a governador, especialmente no Nordeste, e mais algum tempo de televisão. O tucano já perdeu o PSB e conta, por ora, com o PSD e talvez com o PPS. Maia diz duvidar das chances de Alckmin e justifica a própria candidatura como alternativa à polarização PT-PSDB, que já teria cansado o eleitorado. Prevê uma vitória da esquerda (Lula/PT ou Ciro Gomes) se a centro-direita não apresentar um nome competitivo. Que poderia ser o dele, embora sua pontuação máxima nas pesquisas tenha sido 1,4%.

No mais, festa e foguetório na convenção de hoje, que será prestigiada por presidentes de partidos como SD, PR,PRB e PP. O deste último pode até declarar apoio à candidatura. ACM Neto assumirá a presidência do DEM e uns 12 deputados vão se filiar. Segue o baile.

Além da paranoia

Lula é um dos nove ex-presidentes (ou vices) latino-americanos hoje condenados ou presos por corrupção. Todos de centro-esquerda e de alguma forma contrários a interesses norte-americanos. Menções a esta coincidência são sempre desqualificadas como delírio conspiratório esquerdista. O professor (UFPA) e ex-deputado petista Claudio Puty, em artigo na revista Fórum, contrapõe: é absoluto, entre nós, o desconhecimento sobre a Estratégia de Segurança Nacional, documento periódico em que o governo americano define prioridades geopolíticas. Na versão do governo Trump , a ênfase é no combate à corrupção em países da nossa região e na ameaça chinesa ao livre comércio. Em discurso no mês passado, o secretário de Estado Rex Tillerson enalteceu as ações contra “inimigos” dos EUA: “nós temos uma série de iniciativas e de programas de financiamento trabalhando diretamente com alguns países (…) para fortalecer os sistemas judiciários. Avanços recentes no combate à corrupção na Guatemala, Peru, República Dominicana e Brasil ressaltam a importância de seu trato direto”.

Ninguém desconhece a parceria da Lava Jato com autoridades dos Estados Unidos, o que não lhe tira méritos, mas não desmente o interesse americano.

*Maria Tereza Cruvinel é jornalista.


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