
O trailer foi já mostrado em meados de janeiro de 2018, e a estreia mundial está agendada para 23 de março de 2018, na Netflix. Com o título ‘O Mecanismo’, esta nova produção com uma temporada de oito episódios promete desvendar os bastidores da investigação que levou à Operação Lava Jato, que desde 2014 vem marcando a vida política do Brasil, com tentáculos que chegam a uma dezena de países, incluindo Portugal.
A maior trama de corrupção jamais investigada naquele país é a nova aposta do realizador brasileiro José Padilha, conhecido por longas-metragens como Tropa de Elite (2007, com sequela em 2010) ou pela série Narcos (2015) – e que este mês esteve no Festival de Cinema de Berlim a mostrar, extra-competição, a sua longa mais recente, 7 Dias em Entebe.
Para Mecanismo, Padilha rodeou-se de uma equipa que inclui os co-realizadores Marcos Prado (Paraísos Artificiais) e Felipe Prado (Partiu), além da argumentista Elena Soarez. No elenco artístico, pontuam nomes como Selton Mello, Carol Abras e Enrique Diaz. Os dois primeiros são os polícias federais que dirigem a investigação; Diaz é o principal alvo dos detectives, um personagem algo cínico, com uma vida familiar pretensamente normal, mas que é um facilitador atraído pelo poder do dinheiro. “A corrupção é uma característica inerente ao ser humano, pode ser vista no mundo inteiro”, dizem os criadores citados pela edição brasileira do jornal El País.
Entre a centena de personagens que entram em Mecanismo, haverá também um Presidente, um ex-Presidente, deputados e lobistas, além de polícias e advogados. Mas eles “não serão reconhecíveis” – diz Marcos Prado –; “é como se a história ocorresse num país longínquo de outra galáxia”.
Com ‘O Mecanismo’, Padilha respondeu à proposta da Netflix de produzir uma série sobre o Brasil, depois de Narcos, que abordava os roteiros do tráfico de droga na Colômbia no tempo de Pablo Escobar. E é previsível que venha a criar polémica quando chegar ao pequeno ecrã, principalmente no Brasil, tendo em conta as paixões e divisões que os esta investigação tem motivado no país agora presidido por Michel Temer.
Os autores, contudo, fazem questão de se demarcarem de uma colagem directa com os acontecimentos e os protagonistas da Operação Lava Jato. “Estamos cansados dessa batalha monocromática. Dramaturgicamente falando, a complexidade dos personagens é mais interessante do que repetir as notícias. Não se trata de medo de se comprometer com a história, Padilha nunca teve medo de gerar polémica”, disse também ao El País o co-realizador Marcos Prado. “Não precisamos de um ponto de vista, mas de uma história que nos provoque e nos faça pensar além de entreter”, acrescentou o actor Enrique Diaz.
Antes de Mecanismo, a Netflix-Brasil tinha já produzido uma série de ficção científica, 3% (2016), com realização de Pedro Aguilera. Desta vez, se a trama da nova criação é facilmente identificável com o que se passa no Brasil, os autores realçam que o ponto de partida é a investigação que desencadeou a Operação Lava Jato – e perante a qual, a série norte-americana House of Cards poderá parecer uma brincadeira de crianças, dizem.
“O foco da série é o começo da operação. Não abordamos toda a sua amplitude; a nossa história termina em 2014, o que abre o caminho para novas temporadas”, diz Felipe Prado, admitindo assim que, se tiver sucesso, Mecanismo poderá vir a conhecer novas temporadas.
Tendo em conta as histórias reais, não deverá faltar inspiração para os novos episódios.
*Com informações do Jornal Publico de Portugal.
Confira vídeo
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