Brasil: cinco massacres com 31 vítimas fatais, saldo da violência no campo em 2017 | Por Sérgio Jones

O grau de crueldade, injustiça e descaso que os poderes públicos dispensam aos cidadãos brasileiros é grotesco. Isso se evidencia com os elevados índices de morte no campo, sem se observar os que ocorrem nos milhares dos centros urbanos existentes e espalhadas em todo o  país. Apenas no ano de 2017, ano que ficou marcado nos anais da história pelos Massacres no Campo. Foram cinco massacres com 31 vítimas, o que corresponde a 44% do total de assassinatos em conflitos no campo.

No primeiro semestre de 2017, em pouco mais de um mês, ocorreram os massacres de Colniza, Vilhena e Pau D’Arco, com 22 mortos.

A informação é da Comissão Pastoral da Terra (CPT). De acordo com constatação realizada pelo professor da Universidade Federal de Goiás (UFG) Cláudio Maia, os dados registrados pela CPT identificou que em dois dos massacres ocorridos em Colniza (MT), contou com nove mortos, em Pau D’Arco (PA), 10 mortos, a soma destas pessoas mortas só foi inferior ao massacre ocorrido  em 17 de abril de 1996, em Eldorado dos Carajás, totalizando 19 mortes.

Também ele esclarece que os números de massacres, próximos aos de 2017, foram registrados somente no ano de 1985, com 10 casos, e em 1987, com seis casos. No entender de Airton Pereira e José Batista Afonso, ambos integrantes da CPT, o que assusta é identificar o “grau de brutalidade, crueldade e selvageria  que os acompanharam. Cadáveres degolados, carbonizados, ensanguentados, desfigurados. Exemplos que deverão ficar marcados para sempre na alma de homens, de mulheres, de jovens e crianças. O espetáculo dantesco foi denominado por eles com uma verdadeira pedagogia do terror”.

A CPT considera como massacre quando em um conflito, no mesmo dia, são assassinadas três ou mais pessoas. Após divulgação dos dados de assassinatos em conflitos no campo, no dia 16 de abril passado, a Pastoral incluiu o caso de Canutama (AM) também como massacre, o que elevou para cinco o número de massacres em 2017. Suspeita-se sobre a existência de outro massacre, de indígenas isolados, conhecidos como “índios flecheiros”, do Vale do Javari, no Amazonas, entre julho e agosto de 2017. Seriam, pelas denúncias, mais de 10 vítimas. Contudo, devido a incapacidade e as limitações existentes nem o Ministério Público Federal no Amazonas e nem a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) chegaram a confirmar as mortes, o que inviabilizou a computação das mesmas. “ Liberdade burguesa, quantos crimes ainda se cometerão em teu nome”?

*Sérgio Jones é jornalista (sergiojones@live.com).


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