Feira de Santana: idosos se divertem no Arraiá do Comércio

Arraiá do Comércio, realizado em Feira de Santana.
Arraiá do Comércio, realizado em Feira de Santana.

Sozinhos, como dona Maria Aparecida, ou agarradinhos, como o casal Luiz Barbosa Ferreira e Delci Gonçalves Ferreira, ou avulso, a exemplo de José Ferreira Gama. É grande a presença de idosos e de casais que já passaram dos 50 que se divertem no grande salão do Arraiá do Comércio, realizado em Feira de Santana.

E nestas horas as dores no corpo que chegam com o avançar da idade são neutralizadas por generosas doses de endorfina e outros hormônios da felicidade, da alegria. A disposição para a dança é evidente.

Além da disposição para gastar energia durante algumas horas, todos tem em comum a admiração pelo forró tradicional, também conhecido como pé-de-serra, onde não entra a ‘modernagem’ trilhada pelo ritmo nos últimos anos.

Luiz e Delci mantém o rojão. Não perdem uma música sequer. “A gente vem aqui todos os anos e todas as noites”, afirma Luiz. “A gente dança do começo ao fim”, diz a mulher, enquanto enxugava o suor, que corria abundante pela testa, com um guardanapo de papel.

Dizem que apenas param de dançar nos intervalos para a troca dos músicos, que acontece duas, três vezes durante o arrasta-pé. Afirmam que não cansam e que a alegria, o gosto pelo forró, os motivam para que voltem à praça do Fórum no dia seguinte.

Disposição de menino

Policial aposentado e dono de casa de autopeças, José Ferreira Gama, mostra uma disposição de menino. Calça de linho branca, camisa e sapatos sociais. A formalidade não o impede de gastar energia com passos diferentes do forró tradicional. A coreografia chama a atenção.

E o homem dança com uma jovem, com outra e lá vai rodando o salão com a terceira. “O que tocar eu danço”, gaba-se. “É difícil me acompanhar porque não é todo mundo que dança igual a mim”. Uma quarta jovem pediu que dançasse com ela.

Depois de alguns minutos, a mulher foi dispensada, no meio do salão. Leitura labial: “ela não sabe dançar”, confidenciou a amiga Iramar dos Santos, parceira de muitas músicas, que a tirou para dançar. O homem é um arretado.

Dançar só também garante diversão

Dona Maria Aparecida não perde tempo e rodopia sozinha ou com amigas. “Gosto de dançar, de me divertir e adoro um forrozinho”, declarou. Já chegando aos 70, demonstra energia de uma mulher bem mais jovem. “A gente dá um jeito para dançar”. A alegria, a vontade de viver, os movem.


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