ONU Meio Ambiente e parceiros miram poluição nos rios do Brasil para reduzir lixo marinho

Vista aérea da Floresta Amazônica. Imagem feita próximo a Manaus.
Vista aérea da Floresta Amazônica. Imagem feita próximo a Manaus.

Agência das Nações Unidas promove na sexta-feira (08/06/2018) duas iniciativas no Brasil para combater a poluição dos oceanos por plástico. No Amazonas, terá início o projeto “Rios Limpos para Mares Limpos”. Em Santa Catarina, os 11 municípios às margens do Rio Itajaí vão aderir à campanha Mares Limpos da ONU Meio Ambiente.

Cerca de 80% da poluição marinha é originada em terra. Esgotos, pesticidas, metais pesados e outros poluentes são conduzidos por cursos de água doce até o litoral e causam danos à saúde das pessoas e ecossistemas. Quando se fala em lixo plástico, especificamente, 13 milhões de toneladas chegam até os oceanos a cada ano, grande parte proveniente dos rios, que transportam o lixo das cidades e do campo até a praia.

Com o objetivo de combater a poluição plástica desde o interior do território e reverter a maré de lixo que invade os nossos oceanos, a ONU Meio Ambiente lançará nesta sexta-feira (8) duas iniciativas inovadoras no Brasil. Em parceria com a Fundação Amazonas Sustentável (FAS) e com a Secretaria do Meio Ambiente do Governo do Estado do Amazonas (SEMA), dará início ao projeto “Rios Limpos para Mares Limpos”, uma mobilização para a conservação de rios, igarapés e outros afluentes no Amazonas.

Já em Santa Catarina, as 11 cidades que compõem a Associação de Municípios da Foz do Rio Itajaí (AMFRI) irão aderir à campanha Mares Limpos, comprometendo-se a desenvolver e implementar de forma inédita um Plano Regional de Combate ao Lixo no Mar com foco no Rio Itajaí. Ambas as atividades integram as ações da agência da ONU para a semana do meio ambiente (4-11/6).

Quase todos os rios (e resíduos plásticos) vão para o mar

Apesar das diversas aplicações do plástico, como na indústria e na medicina, a sociedade moderna está cada vez mais dependente de produtos plásticos descartáveis. Metade de todo o plástico produzido é projetado para ser usado apenas uma única vez — e jogado fora em seguida, o que pode ocorrer depois de 30 segundos.

Quando itens como sacolas plásticas, canudos e embalagens de alimentos são descartados incorretamente nas ruas, eles voam com o vento, entopem bueiros, aumentam o risco de enchentes e acabam nos rios e nos mares.

No mundo, dez rios carregam sozinhos mais de 90% dos resíduos plásticos que acabam nos oceanos. O maior rio da Ásia, o Yangtzé (China), é responsável pelo transporte de 1.469.481 toneladas. Já o Indo (Índia) conduz 164.332 toneladas, o Rio Amarelo (China) 124.249 toneladas e o Nilo (Egito) 84.792 toneladas. Na África, o Níger (Guiné, Mali, Níger, Benim e Nigéria) deságua 35.196 toneladas de plástico no mar.

Rios Limpos para Mares Limpos em Manaus

Mirando combater a poluição por resíduos plásticos em um dos maiores rios do mundo, a ONU Meio Ambiente uniu forças com a FAS e com a SEMA-Amazonas para desenvolver o projeto “Rios Limpos para Mares Limpos”. O lançamento será feito durante o seminário “Dos rios limpos para mares limpos com os ODS”, que acontece na sexta-feira (8), na sede da FAS, em Manaus, com a presença da representante da ONU Meio Ambiente no Brasil, Denise Hamú, do superintendente-geral da FAS, Virgilio Viana, e do secretário de Meio Ambiente do Amazonas, Marcelo Dutra.

“Como em outras regiões do planeta, as cidades da Amazônia são fontes de geração de resíduos sólidos e poluição dos rios, o que pode se agravar ainda mais com a tendência de aumento da urbanização. Devido a sua importância em termos de biodiversidade global e de serviços ecossistêmicos, a Amazônia, talvez mais do que qualquer outro lugar no Brasil, precisa estar à frente do combate à poluição plástica – e isso implica mobilizar tanto governos e indústrias quanto as comunidades ribeirinhas”, afirma Hamú.

“O evento é muito importante por abordar questões urbanas essenciais em nível global. A despoluição dos rios é estratégica na construção de cidades mais saudáveis, e ao mesmo tempo, na redução da poluição dos mares, que nesse momento é uma calamidade devido aos níveis altíssimos de poluição causada por plásticos”, complementou Viana.

Na manhã de sábado (9), também será realizado um mutirão de limpeza com pranchas de stand-up paddle (SUP) nos igarapés do Tarumã, na Zona Oeste de Manaus, reunindo diversos atores e comunidade para ações práticas de conservação.

Adesão regional à campanha Mares Limpos

No estado de Santa Catarina, o seminário “Oceano sem plástico – ações em terra que afetam o mar” será palco da adesão à campanha Mares Limpos por 11 municípios localizados às margens do rio Itajaí. O primeiro passo foi dado ainda em abril, com a adesão da cidade de Itajaí, durante a Volvo Ocean Race. Agora, os municípios vizinhos se unirão para desenvolver e implementar um Plano Regional de Combate ao Lixo no Mar.

“Os rios apenas refletem as atitudes inconscientes dos indivíduos e nos fazem perceber a tamanha deficiência do sistema de gerenciamento dos resíduos nas cidades. Precisamos abordar essa temática de diferentes ângulos e de forma multidisciplinar. Os representantes locais e gestores das associações de bacias hidrográficas têm um papel fundamental neste processo buscando alternativas para viabilizar frentes de trabalho que contribuam para esta causa”, explica o presidente da Fundação do Meio Ambiente de Piçarras, Marcos Zaleski.

O seminário será promovido em Balneário Piçarras, na sexta-feira (8), e contará com a participação de especialistas, como o capitão estadunidense Charles Moore, que descobriu a ilha de plástico flutuante no Pacífico, e Fernanda Daltro, gerente de campanhas da ONU Meio Ambiente. As inscrições devem ser feitas pelo site da AMFRI e o evento será transmitido ao vivo pelo facebook da Prefeitura de Balneário Piçarras.

*Com informações da Onu News.


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