
Le Figaro diz que o show Ofertório é uma história de família. Os franceses terão a oportunidade de ouvir, nesta quinta em Lyon e no próximo sábado (07/07/2018) em Paris, “não um, mas quatro Velosos”. “O gênio da música popular brasileira”, se apresenta com seus três filhos, detalha o jornal.
O show era um sonho antigo do cantor. Ele já colaborava com seu filho mais velho, Moreno, há vinte anos, mas teve que esperar os dois mais novos, Zeca e Tom, crescerem e convencê-los a montar o espetáculo.
Na entrevista ao Figaro, Caetano conta que Zeca começou a compor adolescente e que o mais difícil foi convencer Tom, que criança, só queria saber de futebol. O caçula da família Veloso acabou aprendendo violão, criou a banda Dônica com amigos de escola, e hoje é “talvez o mais talentoso de todos nós”, elogia o pai orgulhoso.
O Figaro destaca a voz espetacular do intérprete de “Todo Homem” e ressalta que a canção é um sucesso no Brasil, com mais de 2 milhões de acessos na internet. O jornal francês, contudo, atribui a interpretação a Tom Veloso, embora na realidade quem cante a música seja Zeca.
Caetano revela ao jornal que nunca tinha tido vontade de ter filho até ser preso e exilado durante a ditadura militar brasileira e que, hoje, tocar ao lado dos filhos, desperta nele um sentimento de felicidade que não sente com nenhum outro músico, mesmo os mais talentosos.
O jornal conclui o artigo dizendo que cinquenta anos após o lançamento do Tropicalismo, que revolucionou a MPB, Caetano “cria unanimidade por onde passa. Mas agora, o ex-revolucionário e eterno jovem desempenha um novo papel, o de patriarca, e se sai muito bem!”
Mais atento do que mobilizado
A eterna juventude de Caetano, “sempre elegante e cheio de graça com quase 76 anos”, também chama atenção do Le Monde. O vespertino também explica em detalhes aos leitores como germinou a ideia desse show familiar. Desvenda que “Ofertório” é o nome da música que Caetano compôs para a missa de aniversário de 90 anos da mãe dele.
Depois, a matéria com a entrevista do músico ao Le Monde passa a ser muito mais política. O texto lembra o contexto de Copa do Mundo, que “parece não suscitar mais o interesse de antes no país do futebol”. Caetano indica ao jornal duas razões para isso: o vergonhoso 7 a 1 para a Alemanha há quatro anos e a difícil situação política do Brasil. “Nossa moral está em baixa, o país está deprimido e o fato de Lula estar na prisão contribui muito para essa depressão coletiva”, declara o músico, que acha difícil prever o que vai acontecer.
Ele se diz “mais atento do que mobilizado e muito preocupado com a violência que está gangrenando o país.” Para o jornal, Caetano contribui com suas canções a trazer a poesia de que este mundo tanto precisa.
*Com informações da RFI.
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