A alternativa ao neoliberalismo e ao fascismo | Por Luiz Carlos Bresser-Pereira

Bresser-Pereira: é necessário que a crítica às desigualdades seja ampla, envolvendo o reconhecimento e o respeito às diferenças de classe, de raça, de etnia, de gênero e de opção sexual.
Bresser-Pereira: é necessário que a crítica às desigualdades seja ampla, envolvendo o reconhecimento e o respeito às diferenças de classe, de raça, de etnia, de gênero e de opção sexual.

No próximo dia 8 de outubro de 2018, dois candidatos de centro-esquerda, Ciro Gomes e Fernando Haddad, disputarão, com boa chance de vitória, um lugar no segundo turno das eleições presidenciais. Eles enfrentam um candidato de extrema direita, e um candidato que até há pouco poderia ser considerado de centro-direita, Geraldo Alckmin, que, empurrado por seu partido e pelas elites econômicas que o cercam, fez uma opção mortal: a opção pelo neoliberalismo ou fundamentalismo de mercado e, portanto, pela subordinação às elites financeiro-rentistas internacionais.O que significa ser hoje de esquerda? Em primeiro lugar, significa ser crítico: ser crítico das desigualdades econômicas, das desigualdades sociais e das desigualdades políticas. Em outas palavras, significa estar disposto a arriscar a ordem em nome da justiça.

Em segundo lugar, significa ser tolerante em relação aos adversários políticos à direita e à esquerda. Em suma, significa ser democrático, para o que não basta defender o conceito mínimo ou procedimental de democracia – o regime político que garante os direitos civis e o sufrágio universal. É necessário, como afirma Boaventura de Sousa Santos em seu último livro, A Difícil Democracia, lutar para transformar as relações desigualdades de poder em relações de autoridade partilhada. É necessário que a crítica às desigualdades seja ampla, envolvendo o reconhecimento e o respeito às diferenças de classe, de raça, de etnia, de gênero e de opção sexual. Terceiro, ser de esquerda significa ter um projeto viável de desenvolvimento econômico – um projeto desenvolvimentista envolvendo uma moderada intervenção do Estado na economia e o equilíbrio das contas públicas – porque além de inviável e é inútil distribuir se não há produção a ser distribuída. Sem forte apoio não apenas nas classes populares, mas também nas classes médias, que apenas o desenvolvimento econômico pode assegurar, é impossível governar bem uma sociedade capitalista.

Há espaço para uma esquerda assim definida no Brasil? Mais especificamente para uma centro-esquerda moderada e competente, capaz de realizar o bom governo? O segundo governo Vargas, nos anos 1950, e os dois governos Lula, nos anos 2000, mostraram que esse espaço existe. As candidaturas de Ciro Gomes e Fernando Haddad visam ocupá-lo, tendo, para isto, formulado planos de governo equilibrados. Elas são a alternativa ao neoliberalismo e ao fascismo que apenas agravarão a crise brasileira.

*Luiz Carlos Bresser-Pereira (São Paulo, 30 de junho de 1934) , economista, cientista político, cientista social brasileiro, administrador de empresas, e formado em direito, é professor da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, desde 1959, e edita a Revista de Economia Política desde 1981, fundador do PSDB, e ex-ministro da Fazenda dos governos de José Sarney e Fernando Henrique Cardoso.


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