Câmara Municipal de Feira de Santana promove sessão solene em comemoração ao Dia da Beleza Negra; ex-ministra Luislinda de Valois é homenageada

Luislinda de Valois é homenageada com Título de Cidadania Feirense.
Luislinda de Valois é homenageada com Título de Cidadania Feirense.
Luislinda de Valois é homenageada com Título de Cidadania Feirense.
Luislinda de Valois é homenageada com Título de Cidadania Feirense.

Ao invés de discurso formal, uma declaração de amor a Feira de Santana, à família e aos amigos conquistados ao longo da vida. Foi assim que a artesã Valdemira Telma Sacramento – ou simplesmente Negra Jhô – brindou a todos que participaram, na noite desta quinta-feira (20/09/2018), da sessão solene comemorativa do Dia da Beleza Negra. Na mesma solenidade foi entregue o Título de Cidadã Feirense à desembargadora Luislinda Dias de Valois Santos.

Reafirmando o lema da própria vida, Negra Jhô disse que “sem luta não há vitória” e ela é a prova viva disso. “Quando fecha uma porta eu pulo a janela”, afirmou a palestrante, para descrever a trajetória de desafios e dificuldades. A dançarina que desenvolve no grupo Olodum um trabalho de “dança de corpo, de mente e de vida” falou de suas origens em Feira de Santana e a ida para Salvador, encarando tudo de cabeça erguida.

A luta permanente do negro, especialmente a mulher, para ocupar seu espaço no mercado de trabalho e na vida foi abordada de forma magistral pela desembargadora e nova cidadã feirense Luislinda Valois. “Todos nós somos filhos de um só Deus”, proclamou a homenageada da noite, ao iniciar seu discurso de agradecimento pela honraria recebida, pontuado ela emoção que diversas vezes quase se transformou em lágrimas.

“Quem quiser saber o que é ser negro nesse país, fique negro 24 horas”, desafiou a ex-secretária nacional de Promoção da Igualdade Racial e ex-ministra dos Direitos Humanos, que se definiu como “um exemplo vivo do que é ser negra”. Segundo ela, a mulher preta brasileira tem o dever moral de fazer de si não apenas um ser humano, mas ser resiliente, porque ela “continua na senzala”.

Falando da própria história, Luislinda, que é natural de Salvador, filha de lavadeira, disse que desobedeceu o professor e foi em frente em busca do seu espaço, resistindo às intempéries da vida, porque sempre entendeu que a mulher negra não quer apenas a vassoura, ela quer a caneta para decidir os destinos do país. “Derramei lágrimas de sangue para ser desembargadora e ainda continuo tomando chibatadas, porque vou buscar os meus direitos, esteja ele nas mãos de quem estiver”, enfatizou.

Sobre Feira de Santana, a desembargadora agora feirense disse que a honraria recebida a fez renascer e fortalecer os laços com a cidade. Lembrou que aos 14 anos já trabalhava no DNER, na construção da rodovia que é hoje a BR 324. “Eu sou brasileira, eu sou baiana, eu sou de Feira de Santana”, disse Luislinda, reafirmando que o Brasil não é um país multirracial. E como sempre fez durante a sua vida de lutas e desafios, engoliu o choro e abriu um sorriso para a plateia que lotou a galeria e o plenário da Câmara Municipal.

“Quem diria que a senhora seria advogada, juíza, ministra e desembargadora, em uma sociedade em que a mulher tem que ficar em casa, cozinhar e lavar, principalmente sendo negra”, pontuou o vereador Isaías dos Santos (Isaías de Diogo), ao justificar a indicação de Luislinda Valois para receber a cidadania feirense. Ele disse que a mesma hoje é referência e muitas mulheres a seguem, citando o trabalho realizado em Feira de Santana por Lourdes Santana, diretora do Núcleo Odungê, e destacando a figura da mãe Isabel, que o ensinou a não desistir dos seus sonhos.

As homenagens da noite não se restringiram a Luislinda e Negra Jhô. O Núcleo Odungê registrou o Dia Municipal da Beleza Negra contemplando cerca de 20 homens e mulheres que se destacam em suas respectivas áreas de atuação em Feira de Santana com certificados alusivos à data. A diretora Lourdes Santana ressaltou a iniciativa do vereador (Isaías de Diogo) ao conceder a cidadania feirense à desembargadora, que tem trabalho relevante em prol da igualdade racial no Brasil.

A mesa de honra da sessão solene foi composta pelo vereador José Carneiro Rocha, presidente do Legislativo, que conduziu os trabalhos; sociólogo Ildes Ferreira de Oliveira, secretário municipal de Desenvolvimento Social, representando o prefeito Colbert Martins da Silva Filho; Lourdes Santana; a palestrante da noite e a homenageada.


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