Com saída de Cuba do Mais Médicos, quem vai cuidar dos pobres no Brasil?, pergunta Libération

A imprensa francesa desta quinta-feira (15/11/2018) repercute o fim da parceria de Cuba com o programa Mais Médicos no Brasil. O governo cubano rejeitou as modificações anunciadas no programa pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro, e decidiu suspender a participação de seus profissionais no país.

“Partida dos médicos cubanos: quem vai cuidar dos pobres no Brasil?” é manchete do jornal Libération. Desde que o programa foi colocado em prática, há cinco anos, pelo governo de Dilma Rousseff, cerca de 20 mil médicos cubanos trataram 113 milhões de pacientes no Brasil, lembra Libé.

“A partida deles vai privar de cuidados milhões de habitantes de zonas pobres, onde médicos brasileiros se recusaram a se instalar por razões de salário, de localização ou de insegurança”, destaca o jornal.

Libération também lembra que a chegada dos médicos cubanos, em 2013, gerou a revolta de sindicatos médicos brasileiros, que criticavam os recém-chegados por não falarem português e pela ausência da validação do diploma deles no Brasil.

“O pedido de cancelamento do programa foi rejeitado pelo Supremo Tribunal. Em setembro de 2016, Michel Temer, que substituiu a presidente deposta, prolongou o Mais Médicos por três anos”, publica o diário.

Oitavo nome do governo Bolsonaro

O site do jornal Le Monde também fala de Brasil, mas se concentra na composição do futuro governo. “Jair Bolsonaro indica um diplomata para as Relações Exteriores” é a manchete. “Ernesto Araújo é o oitavo nome do novo governo a ser revelado pelo presidente da extrema direita eleito”, publica o diário.

Diretor do departamento encarregado dos Estados Unidos, Canadá e Assuntos Interamericanos no Itamaraty, esse diplomata foi descrito por Bolsonaro como “um brilhante intelectual”. “A política externa brasileira deve ser parte do momento de regeneração que o Brasil vive hoje”, explicou o pesselista em seu Twitter.

Ao lado do presidente eleito, durante uma coletiva de imprensa organizada em Brasília, Ernesto Araújo prometeu colocar em prática “uma política eficaz”, “em função do interesse nacional”, para tornar o Brasil “feliz e próspero”, destaca Le Monde.

O jornal lembra que o diplomata gerou uma forte polêmica em setembro, em plena campanha eleitoral, por ter classificado como “terrorista” o Partido dos Trabalhadores, do então adversário de Bolsonaro, Fernando Haddad. Le Monde explica que a confusão aconteceu quando Araújo respondia a críticas de opositores que chamaram o pesselista de “fascista”. Em seu blog, o diplomata escreveu que o PT tinha a intenção de instaurar um regime de terror no Brasil.

*Com informações da Agência RFI.


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