The Times: Jair Bolsonaro emprega juiz que levou rival político à prisão

Ações de Sérgio Moro e nomeação para o cargo de membro do Governo Bolsonaro evidenciam que juiz usou magistratura para obter ganhos pessoais de poder.
Ilegitimidade, ilegalidade, abuso de autoridade e violação da Constituição Federal são observados na atuação de Sérgio Moro, ao julgar o ex-presidente Lula.
Ações de Sérgio Moro e nomeação para o cargo de membro do Governo Bolsonaro evidenciam que juiz usou magistratura para obter ganhos pessoais de poder.
Ilegitimidade, ilegalidade, abuso de autoridade e violação da Constituição Federal são observados na atuação de Sérgio Moro, ao julgar o ex-presidente Lula.

“O presidente eleito da extrema-direita do Brasil, Jair Bolsonaro, ofereceu um emprego em seu novo governo para o juiz, cuja investigação levou à prisão de seu rival político”. O destaque que o jornal britânico The Times deu à nomeação de Sérgio Moro para o Ministério da Justiça de Jair Bolsonaro (PSL) mostra que até os ingleses já sabiam que o juiz perseguia PT para condenar Lula, sem provas, e tirá-lo de uma eleição em que venceria no primeiro turno.

Fernando Haddad, que denunciou diversas vezes a parcialidade do juiz, afirmou que “se o conceito de democracia já escapa à nossa elite, muito mais o conceito de República. O significado da indicação de Sérgio Moro para Ministro da Justiça só será compreendido pela mídia e fóruns internacionais”.

O histórico de arbítrios e imparcialidade de Moro é extenso. Tanto é que o jornal estadunidense Washington Post também destacou que a decisão do magistrado de “se juntar ao novo governo alimenta a suspeita de muitos brasileiros de que o juiz estava politicamente inclinado a encarcerar o ex-presidente Luiz Inácio [Lula] da Silva, com uma condenação que tirou o líder da esquerda da corrida presidencial”.

Já o jornal Le Monde apontou que o “magistrado por trás da operação Lava Jato e o encarceramento do ex-presidente Lula cultiva uma admiração secreta pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro”. O periódico francês ainda questiona se a nomeação para o Ministério da Justiça é uma “recompensa do futuro chefe de direita por ter aprisionado o líder da esquerda brasileira”.

O Wall Street Journal também lembrou que Sérgio Moro foi responsável pela condenação de Lula, “rival político” de Bolsonaro, “lançando suspeitas sobre a recente batalha do país contra à corrupção”.

O Financial Times, do Reino Unido, publicou uma reportagem com o título “Bolsonaro nomeia juiz que ajudou a prender Lula”. Também na Inglaterra, o The Guardian lembrou que em 2016 Moro disse que “jamais entraria para a política”.

Moro cabo eleitoral de Bolsonaro

O vice-presidente eleito, o general Hamilton Mourão, confirmou que o acordo entre Bolsonaro e Moro já estava selado há muito tempo. Em entrevista à Folha de S.Paulo, o militar disse que o juiz já havia sido sondado durante a campanha do candidato do PSL. “Isso já faz tempo, durante a campanha foi feito um contato”, afirmou.

A parcialidade de Moro sempre foi flagrante durante as decisões na Lava Jato. As tentativas de influenciar em eleições ocorrem desde 2014. Na disputa entre a presidenta Dilma e Aécio Neves, o juiz vazou grampos telefônicos de uma conversa da petista com o ex-presidente Lula, violando a legislação. Na época, ele precisou se justificar e negou que tivesse interesse político, o que agora ficou evidente.


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