Governo Bolsonaro rompe com diplomacia tradicional da maior potência da América Latina, diz revista francesa

Le Point diz que Araújo compartilha com o presidente Jair Bolsonaro uma rejeição radical aos governos de esquerda do Partido dos Trabalhadores, que teriam introduzido o "marxismo cultural" na diplomacia brasileira.
Le Point diz que Araújo compartilha com o presidente Jair Bolsonaro uma rejeição radical aos governos de esquerda do Partido dos Trabalhadores, que teriam introduzido o "marxismo cultural" na diplomacia brasileira.
Le Point diz que Araújo compartilha com o presidente Jair Bolsonaro uma rejeição radical aos governos de esquerda do Partido dos Trabalhadores, que teriam introduzido o "marxismo cultural" na diplomacia brasileira.
Le Point diz que Araújo compartilha com o presidente Jair Bolsonaro uma rejeição radical aos governos de esquerda do Partido dos Trabalhadores, que teriam introduzido o “marxismo cultural” na diplomacia brasileira.

A imprensa francesa continua repercutindo nesta quinta-feira (03/01/2019) os primeiros passos do governo Bolsonaro em Brasília. A revista conservadora Le Point cita frases do discurso de posse do chanceler Ernesto Araújo, destacando o trecho em que ele afirmou que o Brasil vai “lutar para reverter a globalização e empurrá-la de volta ao seu ponto de partida”.

Le Point diz que Araújo compartilha com o presidente Jair Bolsonaro uma rejeição radical aos governos de esquerda do Partido dos Trabalhadores, que teriam introduzido o “marxismo cultural” na diplomacia brasileira. “O novo ministro disse claramente que o governo Bolsonaro vai promover uma ruptura em relação à diplomacia tradicional da maior potência na América Latina”, cita a Le Point, baseada em informações da agência AFP.

Os modelos de admiração do chanceler atualmente no mundo são os Estados Unidos de Donald Trump, além de Israel, Itália, Hungria e Polônia, três países europeus marcados pelo retorno de políticas ultraconservadoras e populistas, e os países latino-americanos que combatem “a tirania” de Nicolás Maduro na Venezuela.

Família Bolsonaro é mais perigosa que militares, destaca FHC

Em entrevista ao Le Figaro, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirma que a eleição de um presidente de extrema direita no Brasil não representa uma crise da democracia brasileira, mas a explosão do sistema político tradicional, com instituições que não conseguem mais responder às demandas da população expressas nos debates pela internet e pelas redes sociais. FHC descreve Bolsonaro como um homem simples, que sabe falar às pessoas comuns, eleito por dispor de qualidades e “longe de ser bobo”.

Questionado se o ex-capitão pode fazer um bom governo, FHC afirma que “diante da falência do sistema tradicional de partidos, da mídia e da justiça”, Bolsonaro sentiu que havia uma brecha. Mas ele vai, segundo o ex-presidente, encontrar forte resistência de corporações que vão tentar lhe impor um fracasso. “Eu não sei como Bolsonaro vai conseguir, ao mesmo tempo, o apoio do Congresso, respeitar as leis e manter sua popularidade”, declara FHC.

Le Figaro pediu a opinião do ex-presidente sobre a forte presença de militares no novo governo, se eles representavam uma ameaça de retorno à ditadura. “Os militares brasileiros se profissionalizaram e são os que mais têm noção da realidade brasileira. Eles apreciam a ordem, mas também são da classe média. Tenho mais medo é da família de Bolsonaro, sua mulher e seus filhos, assim como os reacionários ideológicos que estão no entorno dele”, respondeu FHC. O ex-presidente também manifestou suas reservas em relação ao alinhamento com Donald Trump e as ideias de Bolsonaro na área da cultura.

Descrevendo a situação nas favelas brasileiras como “preocupante”, com o crime organizado “no comando de tudo”, FHC diz que o nível das relações entre o crime e o poder local tornou-se perigoso no Brasil. Para FHC, Bolsonaro “compreendeu a necessidade de restabelecer a ordem no país, dando aos pobres o direito de viver com mais segurança”.

*Com informações da Agência RFI.


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