
A ordem no Palácio do Planalto a partir de agora é ignorar os ataques de Olavo de Carvalho e abafar a crise fomentada pelas últimas tiradas do escritor, disse nesta terça-feira (23/04/2019) uma fonte próxima ao presidente Jair Bolsonaro.
“O presidente já deu o recado. Não dá para prestar atenção nesse cidadão. Nunca construiu um banco, plantou uma árvore, pintou um muro”, desdenhou a fonte. “Deixa ele falar sozinho.”
A avaliação da ala militar do governo é que Carvalho apenas cria barulho e intrigas no governo e que é preciso neutralizá-lo.
No último final de semana, Carvalho divulgou um vídeo nas redes sociais com críticas aos militares, que foi distribuído nas redes sociais do presidente, manejadas por seu filho Carlos. Em seguida, o vídeo foi apagado e repostado por Carlos em sua própria conta.
A manobra gerou ruídos entre os militares do governo, que se irritaram com mais uma intromissão. Os interlocutores mais próximos de Bolsonaro fizeram chegar ao presidente que Carvalho havia passado dos limites.
Na segunda-feira, por meio do porta-voz, Otávio do Rêgo Barros, Bolsonaro, em meio a elogios às intenções de Carvalho, afirmou que suas declarações não ajudavam a “unicidade” e ao projeto do governo. Foi a primeira vez que Bolsonaro respondeu a Carvalho de alguma forma.
O principal problema, no entanto, é a proximidade de Olavo com os filhos do presidente. Desde segunda-feira, quando o vice-presidente, Hamilton Mourão, criticou o escritor, Carlos iniciou ataques seguidos a Mourão pelas redes sociais. Os ataques chegaram a ser vistos como um sinal de que o próprio Bolsonaro estaria irritado com seu vice.
De acordo com a fonte, essa avaliação não é verdadeira.
“A questão do Carlos é outro problema. O presidente tem dificuldades de pôr um freio em determinadas atitudes. Como pai, eu entendo a situação. Mas claro que cria problemas.”
A fonte comentou ainda que Olavo de Carvalho resolveu pegar o vice-presidente “para Cristo”, mas a estratégia agora é não dar mais resposta ao escritor.
Já seguindo o combinado, ao chegar do almoço, o vice-presidente —que raramente recusa entrevistas— respondeu aos jornalistas apenas com um “sem comentários.”
Líderes do PSL atacam escritor e defendem vice
Os líderes do PSL na Câmara e no Senado, delegado Waldir (GO) e Major Olimpio (SP), criticaram ontem, ambos em entrevista à Rádio Eldorado, a influência de Olavo de Carvalho sobre o presidente Jair Bolsonaro e saíram em defesa do vice-presidente, Hamilton Mourão, e dos ministros militares, alvo de críticas do escritor.
“O mais absurdo é um guru que vive nos Estados Unidos atacar o governo e os militares. O presidente não pode ficar à mercê dessas pessoas e pegar a opinião do ‘louco do dia'”, disse
o deputado Delegado Waldir. Segundo ele, Bolsonaro “tem que dar um basta nesse astrólogo que comanda dois ministérios, pois as pessoas querem educação, saúde e segurança”. “Basta de discutir ideologia.”
Para Waldir, o País precisa “dar um passo à frente” e “parar de discutir o sexo dos anjos com um futurólogo que mora nos Estados Unidos”.
O senador Major Olimpio lembrou que o vice-presidente também foi eleito e, por isso, seu papel é “indiscutível”. “Ele (Olavo) diz o que quiser, mas não é um ente de governo. Se algumas pessoas do governo acompanham o pensamento dele, eu respeito isso, mas o general Mourão foi eleito com 57 milhões de votos junto com o Jair Bolsonaro. Então, é indiscutível o papel dele”, disse o líder.
Segundo Olimpio, os ministros militares têm um comportamento “exemplar” nas áreas em que atuam. “Não dão canelada nem disputam espaço. São pragmáticos. Quem tira e põe ministro é o presidente.”Outros parlamentares do partido fizeram coro aos líderes. Para o deputado Coronel Tadeu (SP), o governo deve se afastar das polêmicas criadas por Olavo. “As críticas são muito bem-vindas, mas vamos combinar que as dele já deu.”
A deputada Carla Zambelli (SP) disse que deixou de ser seguidora do escritor. “Não sigo mais o Olavo de Carvalho há algumas semanas, quando percebi que a intenção dele (em relação ao País) não é positiva.”
*Com informações de Lisandra Paraguassu, da Agência Reuters e de Elizabeth Lopes, Pedro Venceslau, do Jornal O Estado de São Paulo.
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