Feira de Santana em história: Em artigo, Hugo Navarro cobra homenagens ao maestro Estevam Moura | Por Adilson Simas

Em uma das suas crônicas publicadas no centenário jornal Folha do Norte, o saudoso jornalista e historiador Hugo Navarro fala da importância do maestro Estevam Moura na vida da cidade, cobra as homenagens devidas ao maestro que mesmo nascido em Santo Estevão dedicou a esta cidade maior parte de sua existência.

Feira de Santana, ultimamente, volta-se, atenta, para o passado, na tentativa de reconquistar o tempo perdido. Empenhado na dura luta pela vida, nosso povo nunca teve lazeres e fôlego para se dedicar a pesquisas para reviver figuras e fatos históricos que marcaram a trajetória, nem sempre tranquila, de município que em sua história enfrentou todo tipo de carência e que só ultimamente tem encontrado campo para o que sempre foi tarefa eventual de poucos.

Martiniano da Silva Carneiro, que editou semanário nesta cidade, falando à “Folha do Norte”, certa feita, deu a medida das dificuldades, ao declarar que no seu jornal muitas vezes tinha que escrever, compor, fazer revisão, paginar, impor e, ele próprio, imprimir, encadernar e cuidar da distribuição.

Se no passado raros pesquisadores realizaram trabalhos de inegável utilidade para os estudiosos e pesquisadores de hoje, muito se perdeu no torvelinho do tempo. São importantes detalhes, tão importantes quanto os grandes feitos, que nem sempre destes é formada a trajetória das comunidades.

Fato inegável é que passamos a contar, agora, talvez por influência da UEFS, cuja presença, aos poucos, se faz sentir na sociedade, e da inegável evolução das condições de vida de grande parte do povo, com o empenho de considerável número de pessoas, algumas de reconhecida competência, dedicadas à preservação da memória do Município.

Assistimos, hoje, ao que antes era muito difícil.  Vemos a restauração de templos e outros prédios, a edição de obras literárias e de pesquisa e homenagens em que se reaviva a lembrança de vultos importantes de nossa história, trabalhos em que se empenham a UEFS, a Câmara Municipal, sob a presidência do Vereador Antônio Carlos Coelho, e a Fundação do Senhor dos Passos.

Envolvidos nesse clima, quase frenético, de labuta em busca do passado, em que pessoas, trabalhos e fatos são resgatados do olvido a que estavam votados, estranhamos que permaneça no esquecimento a memória do maestro Estevam Moura.

Oriundo de Santo Estevão, o maestro dirigiu e regeu, de forma impecável, nesta cidade, por muitos anos, a banda da “Sociedade Filarmônica 25 de Março”. Deixou grande número de peças musicais como dobrados, marchas, valsas e composições sacras, cujos originais não se sabe por onde andam.

Professor de Música do Colégio Santanópolis e da escola da “25 de Março”, algumas de suas obras de vez em quando aparecem, em outras bandas, atribuídas a autores diversos. Sua produção é vasta, valiosa e corre o risco de se perder de forma irreparável.

Estevam Moura formou, na “25 de Março”, filarmônica que durante muitos anos foi motivo de orgulho para o povo de Feira de Santana pela organização, gosto musical, afinação apurada e garbo com que se apresentava nas ruas e festas. Deixou alunos famosos, como o maestro Miro, que hoje dá o nome a um teatro desta cidade.

Pena que estejam a cair no esquecimento a memória e a importante obra de Estevam Moura.

*Adilson Simas, jornalista, atua em Feira de Santana.


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