Estudantes da Bahia celebram o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha

Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e ao Dia Nacional de Tereza de Benguela, celebrados a cada 25 de julho, os estudantes do Colégio Estadual Ruben Dário (CERD), localizado no bairro de San Martin, em Salvador, protagonizaram, nesta quinta-feira, o projeto “Respeita as minas: dia de combate à violência contra as mulheres no CERD”. O evento envolveu uma série de atividades culturais representativas para a luta das mulheres negras contra a desigualdade e o duplo preconceito de gênero e de raça. Os alunos se posicionaram contra a violência à mulher por meio das artes ligadas ao teatro, à dança, à música e à poesia, bem como apresentaram uma exposição fotográfica e assistiram a palestras sobre a temática.

Temas como racismo, machismo, sexismo, misoginia e intolerância religiosa foram discutidos em sala de aula pelos estudantes até chegarem à culminância das apresentações coletivas. A consciência sobre a necessidade de que toda a população incorpore no seu dia a dia a luta das mulheres negras contra qualquer tipo de violência, especialmente a doméstica, motivou a estudante Ludmila Carvalho, 17, 2º ano, a cuidar da produção da peça encenada por um grupo de estudantes do Ruben Dario. “Não tem título a montagem, mas o objetivo foi trazer para o ambiente escolar, envolvendo alunos e alunas, o debate sobre uma problemática que é preciso ser falada, divulgada e combatida para que as mulheres parem de ser violentadas”.

O colega Ícaro Chagas, 18, 2º ano, revela que a ação voltada à comemoração de duas datas significativas o ajudou no seu crescimento pessoal. “As mulheres são socialmente muito desvalorizadas, especialmente as negras. E a violência contra elas está em todo o canto: na escola, em casa, no trabalho, na rua. Combater tudo isso é um dever de todos e este evento trouxe despertou esta consciência na gente. Foi um aprendizado muito importante que pretendo multiplicar”.

O diretor Antônio Pimenta ressalta que a entrega dos estudantes para a realização deste dia comemorativo e de debate foi fundamental para o seu resultado positivo. “Eles se envolveram completamente, inclusive na palestra ministrada por representantes do Conselho Tutelar da Liberdade e do CEDEBA (Centro de Defesa da Criança e do Adolescente). Momentos como estes são importantes porque contribuem para o despertar da consciência contra questões sérias, como é o caso da violência contra a mulher, em especial a negra”.

Sobre a data – O Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha surgiu em 1992, durante o I Encontro de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas, realizado em Santo Domingo, na República Dominicana. Na ocasião, criou-se a Rede de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas e estabeleceu-se o 25 de julho o dia de celebração. Em 2014, a Lei nº 12.987/2014 também tornou a data como Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. Tereza de Benguela foi líder quilombola no século 18, do Vale do Guaporé, em Mato Grosso. Com a morte de seu companheiro, ela assumiu a luta da comunidade negra e indígena contra os opressores portugueses, que destruíram o quilombo. Há controvérsias se Tereza morreu na guerra ou se terminou prisioneira, mas seu exemplo de resistência permanece no presente.


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