
Depois do diretório municipal do PSDB, ontem foi a vez do diretório estadual tucano formalizar um pedido de expulsão do deputado Aécio Neves do partido.
A decisão do diretório, que está na área de influência do governador de São Paulo, João Doria, ocorreu às vésperas da reunião da executiva Nacional do PSDB que vai definir a admissibilidade do pedido de expulsão feito pelo diretório municipal da Capital.
O movimento para expulsar Aécio é parte do que Doria chamou de “faxina ética” no PSDB, que ano passado teve o pior desempenho eleitoral de sua história.
O caso de Aécio é o mais emblemático, segundo tucanos, porque ele foi flagrado pedindo um empréstimo de R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista, da JBS.
Se o pedido de expulsão for aceito, Aécio terá cerca de seis meses para se defender. O presidente da PSDB-SP, Marco Vinholi, defende que o rito seja encurtado.
Crise ética e política
Ainda que o governador de São Paulo, João Doria, e o presidente do partido, Bruno Araújo, venham empreendendo uma verdadeira cruzada telefônica para angariar votos favoráveis à ida de Aécio ao conselho (primeira etapa de um processo de expulsão), os aliados de João Doria contabilizam que Aécio tem chances de levar a melhor.
Medalhões do tucanato, como Fernando Henrique Cardoso e Geraldo Alckmin, já avisaram que não irão votar. No Sul, Nelson Marchezan e Yeda Crusius, também. Os senadores Tasso Jereirssati e José Serra ainda não confirmaram presença.
Na batalha pelos votos, também contam ao seu favor os serviços prestados à bancada do PSDB quando presidiu o partido, em especial seu apoio às campanhas eleitorais de aliados. Aécio tem batido nesta tecla ao requerer a boa vontade dos colegas em relação à sua situação.
O clima é desconfortável no ninho.
O governador João Doria chegou a telefonar para o deputado Celso Sabino (PSDB-PA), relator do processo de expulsão de Aécio no partido, para reforçar a posição de que ele não deve mais constar dos quadros tucanos. Ocorre que o próprio Sabino é visto pelos colegas como favorável à permanência do deputado mineiro.
Diante da imagem tóxica de Aécio após os desdobramentos da Lava-Jato, a estratégia da cúpula paulista é pressionar para que haja uma votação aberta na quarta-feira, como forma de constranger, diante da opinião pública, aqueles favoráveis ao deputado. Contudo, nem isso é visto como garantia de sucesso. O mais provável, segundo expoentes da sigla, é que Aécio sobreviva desta vez. Mas, como há a intenção do partido de protocolar novos requerimentos pela saída do deputado, a expectativa é que, nas próximas votações, ele se enfraqueça e, de tão desgastado, termine não resistindo.
*Com informações de Pedro Venceslau, do Broadcast de Política do Estadão e de Ana Clara Costa, da Revista Época.
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