Parlamentares do Paraguai desistem de impeachment de Mario Abdo após anulação de acordo sobre Itaipu

Mario Abdo Benítez, presidente do Paraguai.
Mario Abdo Benítez, presidente do Paraguai.

Parlamentares paraguaios recuaram nesta quinta-feira (01/08/2019) da ameaça de pedir o impeachment do presidente Mario Abdo depois que Brasil e Paraguai cancelaram um acordo de energia que causou polêmica e criou o risco de desestabilizar o governo em Assunção.

Abdo pediu desculpas pela maneira como lidou com a polêmica sobre a assinatura de um acordo energético com o Brasil envolvendo a hidrelétrica de Itaipu, que parlamentares da oposição disseram afrontar a soberania do Paraguai.

“Quem tiver que ser responsabilizado por má conduta será responsabilizado”, disse Abdo em uma mensagem à nação, acrescentando que agradecia os parlamentares por decidirem proceder de uma maneira “que não rompe com o processo democrático”.

Na quarta-feira, alguns parlamentares disseram que pressionariam pelo impeachment de Abdo e do seu vice-presidente, Hugo Velázquez, após um escândalo que levou à renúncia do ministro das Relações Exteriores e de três outras autoridades.

A revolta foi desencadeada por um acordo de energia, que veio a público na semana passada, relacionado à gigantesca usina hidrelétrica de Itaipu, que se estende entre os dois países.

Autoridades e parlamentares paraguaios disseram que o pacto seria prejudicial para o Paraguai e que custaria cerca de 200 milhões de dólares ao Estado. O Paraguai é altamente dependente da receita de Itaipu.

“Peço desculpas se estava errado”, disse Abdo diante de cerca de 5 mil apoiadores que se reuniram diante do palácio de governo no centro da capital Assunção.

O escândalo foi a primeira grande crise a abalar Abdo, que é próximo do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil disse nesta quinta-feira que tentativas de remover o líder paraguaio criam o risco de uma “ruptura da ordem democrática”.

Bolsonaro disse apoiar Abdo, que emergiu como um de seus primeiros aliados na região. “O problema do Paraguai é que o impeachment você faz em 72 horas”, disse Bolsonaro a repórteres na manhã desta quinta-feira. “A gente não quer prejudicar o Paraguai”.

Paraguai e Brasil se preparam para negociar o futuro de Itaipu, cujo tratado de fundação vence em 2023.

*Com informações de Daniela Desantis e Lisandra Paraguassu, da Agência Reuters.


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