Privatização da Telebras pode ameaçar segurança do satélite geoestacionário, diz deputado

Jorge Bittar, ex-presidente da Telebras.
Jorge Bittar: a Telebras é uma empresa estratégica para suprir infraestrutura de internet.
Jorge Bittar, ex-presidente da Telebras.
Jorge Bittar: a Telebras é uma empresa estratégica para suprir infraestrutura de internet.

A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados vai discutir as implicações da possível privatização da Telebras para a gestão do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas. Em audiência pública no colegiado nesta quinta-feira (22/08/2019), o deputado Luis Miranda (DEM-DF) questionou a pertinência da privatização da empresa diante dos segredos de Estado que envolvem a questão.

“Se a Telebras for licitada mesmo e se tornar uma empresa privada, a gente perde esta soberania. Mesmo que eu seja totalmente a favor das privatizações, será que esse é o ponto que nós queremos quando tratamos de segredo nacional?”, questionou.

“Se são segredos de Estado, e a empresa tem acesso ao satélite e as informações passam por esse satélite, nasce aí um novo debate: será que a Telebras é uma empresa privatizável?”, declarou Miranda.

Segundo o secretário de Telecomunicações do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Vitor Elisio Góes de Oliveira Menezes, se isso ocorrer, o modelo de privatização vai ser estudado.

“Por exemplo, poderia haver um modelo em que se separa a parte do satélite que continua com o governo e se passa à iniciativa privada, se for acontecer isso, somente a parte terrestre. Mas aí há outra série de implicações, porque a parte do satélite depende da parte terrestre. É algo que não é simples, mas eu acredito que, se a secretaria avançar nesse sentido, vai arranjar alguma solução”, afirmou.

O coordenador na assessoria espacial do Ministério da Defesa, coronel Anderson Hosken, reforçou a fala do secretário. “Ainda é muito cedo dizer que a soberania será prejudicada porque é necessário saber o que será privatizado ou eventualmente privatizado e de que forma avaliar o impacto”, afirmou.

Evolução

O satélite geoestacionário foi lançado em maio de 2017. No ano anterior, foi suspensa a compra de equipamentos de solo. Além disso, ações populares questionaram o acordo com a empresa Viasat em 2018.

Em janeiro deste ano, houve liberação para uso e, em maio, a autorização final foi dada pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

O diretor da Secretaria de Infraestrutura Hídrica, de Comunicações e de Mineração do TCU, Paulo Sisnando Rodrigues de Araújo, informou que os ajustes pedidos pelo tribunal trouxeram à Telebras o benefício direto de R$ 340 milhões.

Acesso à internet

Segundo o Ministério da Ciência e Tecnologia, o programa Internet para Todos, viabilizado pelo satélite, atende mais de 10 mil pontos no Brasil, incluindo regiões quilombolas, indígenas e áreas de fronteiras.

Cerca de 6.500 escolas escolhidas pelo Ministério da Educação estão sendo contempladas pela conexão via satélite ao custo de R$ 758, preço abaixo do praticado pelo mercado e custeado pelo Ministério da Educação.

Segundo o diretor comercial da Telebras, Hélcio Vieira Junior, cerca de 2 milhões de alunos já são atendidos e a maioria dos pontos de instalação de antenas está nas regiões Norte e Nordeste.

O ex-presidente da Telebras Jorge Bittar lembrou que o programa geoestacionário custou mais de R$ 2,7 bilhões em investimentos e precisa ser usado. “O satélite tem um tempo de vida de 18 anos. Desses 18 anos, praticamente 2 anos foram perdidos. A gente tem que usar essa infraestrutura. A Telebras tem que faturar, tem que alcançar sua sustentabilidade econômica”, disse.

“Eu sou contra a privatização por todas as razões que expus aqui: a Telebras é uma empresa estratégica para suprir infraestrutura de internet, que é hoje talvez a infraestrutura mais estratégica para o desenvolvimento econômico, social e cultural do País”, afirmou Bittar.

O controle do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas é feito em parceria entre o Ministério da Defesa e a Telebras. A chamada banda X, de uso militar, fica com o Ministério da Defesa; e a banda Ka, de uso civil, com a Telebras.

O satélite cobre todo o território nacional e tem tecnologia especialmente desenvolvida para a conexão à internet em alta velocidade em até 50 mil pontos de acesso à internet em todo o País.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Facebook
Threads
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading

Privacidade e Cookies: O Jornal Grande Bahia usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso deles. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, consulte: Política de Cookies.