
O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, descartou nesta terça-feira (17/09/2019) um diálogo com os Estados Unidos depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, culpou Teerã por um ataque a instalações petrolíferas da Arábia Saudita que interrompeu metade da produção do reino.
Na segunda-feira, Trump disse que parece que o Irã está por trás do ataque do fim de semana ao coração da indústria petrolífera saudita, que cortou 5% da produção global, mas enfatizou que não quer ir à guerra. O Irã negou ser culpado.
“Autoridades iranianas de todos os níveis nunca conversarão com autoridades americanas… isto é parte da política deles para pressionar o Irã”, disse o aiatolá Khamenei, segundo a televisão estatal.
Khamenei disse que só pode haver conversas se os Estados Unidos voltarem a um acordo nuclear entre o Irã e o Ocidente, que Trump abandonou no ano passado.
As relações entre os EUA e o Irã se deterioraram depois que Trump retirou os EUA do acordo e reativou sanções em reação aos programas nuclear e balístico de Teerã. Ele também quer que o regime pare de apoiar forças regionais que atuam em seu nome — como o grupo iemenita houthi, que reivindicou o ataque.
Um dia depois de dizer que os EUA estão “armados e carregados” para reagirem ao incidente, Trump disse na segunda-feira que “não há pressa” para fazê-lo. “Temos muitas opções, mas não estou analisando opções neste momento. Queremos saber com certeza quem fez isto”.
Ainda na segunda-feira, a Arábia Saudita, que apoiou sanções norte-americanas mais duras ao Irã, disse que uma investigação inicial mostrou que o ataque foi realizado com armas iranianas, mas não forneceu provas. A Arábia Saudita disse ser capaz de “reagir vigorosamente”, mas não acusou Teerã diretamente.
O ataque reduziu a produção saudita de petróleo pela metade e danificou a maior usina de processamento de petróleo do mundo, desencadeando o maior salto no preço da commodity em décadas. Foi o pior ataque contra instalações petrolíferas regionais desde que Saddam Hussein incendiou os poços de petróleo do Kuwait durante a Guerra do Golfo de 1990-91.
O ministro da Energia saudita deve realizar uma coletiva de imprensa nesta terça-feira, fornecendo o que seria a primeira atualização desde que a estatal petrolífera Aramco anunciou no domingo que ataques contra suas instalações de Abqaiq e Khurais reduziram a produção em 5,7 milhões de barris por dia.
Trump disse que está enviando o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, à Arábia Saudita, mas não assumiu nenhum compromisso de proteger os sauditas.
EUA acreditam que ataque à Arábia Saudita partiu do sudoeste do Irã
Os Estados Unidos acreditam que o ataque de sábado a instalações petrolíferas da Arábia Saudita partiu do sudoeste do Irã, disse uma autoridade norte-americana à Reuters nesta terça-feira (17).
Três autoridades que conversaram com a Reuters pedindo anonimato disseram que o ataque envolveu mísseis de cruzeiro e drones, indicando que a ação teve um grau de complexidade e sofisticação maior do que se pensou inicialmente.
As três fontes não forneceram indícios nem explicaram qual agência de inteligência norte-americana usaram para fazer tais avaliações. Mas tal informação, se pudesse ser levada a público, poderia aumentar a pressão para que EUA, Arábia Saudita e outros reajam.
Uma das três autoridades expressou a crença de que a coleta saudita de materiais após os ataques proporcionará “indícios forenses convincentes… que apontarão de onde esse ataque veio”.
Uma equipe norte-americana está ajudando a Arábia Saudita a avaliar indícios do ataque, que foi reivindicado por rebeldes houthi que combatem uma coalizão de liderança saudita no Iêmen.
O Irã nega qualquer papel no ataque à maior usina de processamento de petróleo cru do mundo, que interrompeu metade da produção petrolífera do reino.
As relações entre Teerã e Washington se deterioraram depois que o presidente Donald Trump retirou seu país do acordo nuclear com o Irã no ano passado e reativou sanções contra suas exportações de petróleo.
*Com informações de Parisa Hafezi, Steve Holland, Rania el Gamal, Lisa Barrington, Tom Arnold, lNidhi Vermal e Shu Zhang, da Agência Reuters.

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