Às vésperas de leilões, petróleo em praias mostra despreparo do Governo Bolsonaro, diz Greenpeace

Praias do litoral de Sergipe são contaminadas com petróleo.
Praias do litoral de Sergipe são contaminadas com petróleo.
Praias do litoral de Sergipe são contaminadas com petróleo.
Praias do litoral de Sergipe são contaminadas com petróleo.

O Brasil tem mostrado demora para reagir e evitar danos causados por um petróleo ainda de origem misteriosa que atinge há mais de um mês várias praias do Nordeste, afirmou à Reuters nesta segunda-feira (07/10/219) o porta-voz do Greenpeace para assuntos de clima e energia Thiago Almeida.

O cenário é “extremamente preocupante”, disse Almeida, já que o país se prepara para realizar três grandes leilões de áreas exploratórias de petróleo em um mês e tem buscado meios de acelerar os investimentos no setor, como uma forma de estimular a tão abalada economia brasileira.

“Claramente a União não está preparada para responder a um derramamento… É extremamente preocupante que é esse mesmo governo que está leiloando mais de 2 mil blocos pelo Brasil todo”, afirmou Almeida, em uma entrevista por telefone.

Entre outubro e o início de novembro, o Brasil realizará três leilões de áreas de petróleo e gás, sendo dois com foco em ativos no pré-sal. Na próxima quinta-feira, está prevista a 16ª rodada de licitação de áreas sob regime de concessão. Depois, o país realizará em 6 de novembro o leilão do petróleo excedente da região da cessão onerosa. No dia seguinte, o governo faz a 6ª rodada do pré-sal.

“O governo nem mesmo conseguiu identificar a origem e encontrar os responsáveis, e a gente vê aí as manchas de óleo afetando animais marinhos, praias, pessoas, turismo e a economia dessas regiões.”

De acordo com mapa divulgado no domingo à noite pelo Ibama, o óleo já se espalha pelas costas de Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia, onde chegaram mais recentemente.

Nesta segunda-feira, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse que equipes dos órgãos ambientais Ibama e ICMBio recolheram mais de 100 toneladas de borra de petróleo no litoral do Nordeste desde o início de setembro.

Acionada pelo governo para auxiliar nas investigações, a Petrobras informou que o petróleo encontrado nas praias é cru e não foi produzido em território brasileiro.

Depois disso, várias especulações surgiram no mercado sobre qual poderia ter sido a origem do vazamento.

“É muita informação desencontrada, muita falta de informação. Quem deveria ter essas respostas e já demorou mais de um mês é o governo”, disse Almeida, ressaltando que há meios científicos para buscar a origem desse petróleo e entender melhor o que aconteceu.

Ele evitou falar sobre hipóteses sobre a origem do petróleo, que aparece nas praias do Nordeste há mais de um mês.

Em um raro comentário público sobre o caso, o presidente Jair Bolsonaro disse nesta segunda-feira que uma investigação está em curso para determinar a origem do petróleo.

Depois de uma reunião com as Forças Armadas e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que participou por videoconferência de Aracaju, Bolsonaro disse ainda que o petróleo “não parece vir de uma plataforma” e pode ser criminoso ou de algum navio afundado.

Procurado, o Ministério de Meio Ambiente não comentou o assunto imediatamente.

*Com informações de Marta Nogueira, da Agência Reuters.


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