Para imprensa francesa, Evo Morales deixa balanço positivo de estabilidade política e econômica na Bolívia

A imprensa da França analisa a crise política na Bolívia e o retorno de Lula à cena política no Brasil.
A imprensa da França analisa a crise política na Bolívia e o retorno de Lula à cena política no Brasil.
A imprensa da França analisa a crise política na Bolívia e o retorno de Lula à cena política no Brasil.
A imprensa da França analisa a crise política na Bolívia e o retorno de Lula à cena política no Brasil.

A imprensa francesa analisa nesta terça-feira (12/11/2019) a crise política na Bolívia, após a renúncia de Evo Morales, e o recrudescimento da polarização no Brasil, com o enfrentamento aberto entre Lula e Jair Bolsonaro.

Para Le Figaro, a renúncia de Morales mergulha a Bolívia no desconhecido. O jornal relata os acontecimentos das últimas horas e a forma como Morales perdeu o apoio de ministros e do chefe das Forças Armadas. Na análise desse diário conservador francês, a queda do líder indígena foi provocada por sua sede de poder, uma “adição” que vai custar caro ao povo boliviano, já que o “balanço dos 13 anos de governo Morales é relativamente positivo, sobretudo se comparado aos governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro, na Venezuela, e de Cristina Kirchner, na Argentina”.

Le Figaro destaca que no intervalo de 10 anos, entre 2005 e 2015, a pobreza extrema caiu de 36,7% para 16,8% entre os bolivianos, segundo dados da ONU. Além disso, “Morales permitiu à Bolívia atravessar um longo período de estabilidade econômica e política, enquanto os dois presidentes que o precederam foram obrigados a renunciar por pressão das ruas”.

O jornal explica que a fratura entre a elite “branca” de Santa Cruz, associada aos cardeais da Igreja, e a maioria indígena das regiões andinas se estabeleceu desde o primeiro mandato de Morales. É esta elite, agora, que tenta recuperar o poder.

Em seu editorial, o jornal comunista L’Humanité diz que Morales foi empurrado à renúncia não em razão dos protestos da sociedade civil contra o resultado das eleições, mas sim pela violência de milicianos contra os políticos de esquerda, a guinada à direita da polícia e do Exército e a pressão feita pelos Estados Unidos e outros países conservadores da região – o Brasil de Bolsonaro inclusive –, que se exprimem por meio da OEA (Organização dos Estados Americanos).

L’Humanité descreve o opositor boliviano Luis Fernando Camacho como um político de extrema direita e aprendiz de ditador, por ter pedido a prisão de Morales. Nesse contexto, a libertação de Lula no Brasil é um alento, diz L’Humanité.

O jornal econômico Les Echos se preocupa com o vácuo de poder na Bolívia, estimando que o erro de Morales foi querer forçar sua permanência no poder para um quarto mandato.

Confronto no Brasil

O diário liberal analisa a crise nos países sul-americanos, notando que o governo do Chile aceitou mudar a Constituição, uma das principais reivindicações dos manifestantes nas últimas semanas, em vista do aumento das desigualdades pelas políticas liberais.

Sobre o Brasil, Les Echos diz que a libertação do ex-presidente Lula alimenta o clima de confronto com o poder de extrema direita. Segundo Les Echos, Lula vai tentar fortalecer a esquerda, mas os ataques à política econômica do ministro Paulo Guedes e ao presidente Jair Bolsonaro também darão corda ao antilulismo no eleitorado bolsonarista, principalmente na classe média alta brasileira.

O diário econômico observa que a libertação do ex-presidente petista não amedronta investidores, por não colocar em risco, por enquanto, as reformas em tramitação no Congresso.

“Todos contra a Globo”

Les Echos ainda trata com destaque os ataques de Lula e Bolsonaro contra a Rede Globo. “O ódio à TV Globo, grupo dominante na imprensa brasileira, une militantes petistas e bolsonaristas. Os dois grupos acusam a emissora de fazer campanha contra cada um dos líderes. É uma bela proeza para o grupo carioca, que flertou com governos nos seus 94 anos de existência e se orgulha, atualmente, de praticar um jornalismo ‘sério’ e que não pretende se deixar intimidar.”

*Com informações da RFI.


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