Santuário da vida marinha na costa da Bahia, arquipélago de Abrolhos é degradado por petróleo

Marinha realiza trabalho de monitoramento e coleta de resíduos de petróleo no arquipélago de Abrolhos.
Marinha realiza trabalho de monitoramento e coleta de resíduos de petróleo no arquipélago de Abrolhos.
Marinha realiza trabalho de monitoramento e coleta de resíduos de petróleo no arquipélago de Abrolhos.
Marinha realiza trabalho de monitoramento e coleta de resíduos de petróleo no arquipélago de Abrolhos.

Fragmentos de petróleo foram encontrados em Abrolhos neste sábado (02/11/2019). A região, no extremo sul da Bahia, tem a mais extensa bancada de corais do Brasil e resguarda a maior biodiversidade marinha da porção sul do Atlântico.

A Marinha informou que foram retirados fragmentos de óleo em Ponta da Baleia, em Caravelas, e na Ilha de Santa Bárbara, em Abrolhos. A remoção foi feita pelo Grupo de Acompanhamento e Avaliação (GAA), formado pela Marinha, Agência Nacional de Petróleo (ANP) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

A preocupação com a chegada do óleo em Abrolhos aumentou nos últimos dias. Na segunda-feira (28/10/2019), surgiram os primeiros sinais de que, de fato, a mancha estava se aproximando de Abrolhos. Segundo a organização Conservação Internacional, pescadores retiraram do alto mar cerca de 40 quilos de óleo, perto da Reserva Extrativista (Resex) Canavieiras.

A entidade afirmou ainda que pequenas manchas já foram avistadas em praias das cidades de Belmonte e Santa Cruz Cabrália, que estão ao sul de Canavieiras e mais próximas ao núcleo central do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos. Até ali, os sinais eram de que o material tinha chegado à região de Abrolhos, mas não ao parque nacional.

Na ocasião, a professora do Instituto de Geociências da Universidade Federal da Bahia (Ufba) Zelinda Leão, que desde a década de 1970 estuda os recifes de coral ali presentes, disse que “nada poderia ser pior” que as manchas de óleo chegarem a Abrolhos.

Com a maior biodiversidade marinha da porção sul do Atlântico, o santuário na Bahia já tem mais de 1.300 espécies registradas entre fauna e flora.

A região possui ainda a maior produção pesqueira da Bahia, movimentando aproximadamente R$ 100 milhões por ano e provendo sustento a mais de 20 mil famílias.

Não à toa, o Parque Nacional Marinho de Abrolhos, criado em 1983, é a primeira unidade de conservação marinha do país, protegendo o arco de recifes costeiros e o Arquipélago dos Abrolhos, formado por cinco ilhas.

Soma-se a tudo isso, já chegando na terra, rios que penetram por imensos manguezais, como o da Reserva Extrativista de Cassurubá, que tem mais de 10 mil hectares.

Segundo Zelinda Leão, se o óleo atingir os corais é muito provável que eles morram, dando início a uma reação em cadeia de total desequilíbrio do ecossistema. Sem os corais, os organismos satélites somem, levando embora também moluscos, crustáceos e peixes que deles se alimentam.

Na ponta da cadeia, estão as baleias jubarte, que todos os anos deixam o Polo Sul para se reproduzir nestas águas da Bahia – também graças aos corais.

*Com informações da BBC News.


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