Le Monde elogia a “esplêndida beleza” de ‘A Vida Invisível’, novo filme de Karim Aïnouz

Cartaz do filme 'A Vida Invisível'.
Cartaz do filme “A Vida Invisível”, do diretor brasileiro Karim Aïnouz.

A edição de quarta-feira (11/12/2019) do jornal Le Monde traz uma matéria sobre o novo filme do diretor brasileiro Karim Aïnouz, “A Vida Invisível”, que entra em cartaz nos cinemas franceses nesta semana. “Dois destinos contrariados em um Rio inebriante”, diz a manchete do texto.

Le Monde considera que neste sétimo longa do diretor, Aïnouz continua atento às “existências à margem da sociedade”, como em Madame Satã, de 2002, que conta a história de um célebre travesti do Brasil. Baseado no livro “A Vida Invisível de Eurídice Gusmão”, de Martha Batalha, o argumento “romanesco” mostra o cruzamento de dois destinos no Brasil dos anos 1950, destacando “o poder do patriarcado sobre a vida das mulheres em uma época em que elas tinham pouca voz na sociedade”, afirma o jornal.

O filme retrata a relação de suas irmãs, Eurídice e Guida, que da fraternidade cúmplice são levadas pelo destino a vias opostas. Enquanto Eurídice é a moça disciplinada, que toca piano e sonha em estudar música em algum conservatório da Europa, Guida tem um caráter livre e sonhador, amando em segredo um marinheiro com quem resolve fugir.

Apesar da distância que o pai das jovens obriga que se instale entre as duas devido às escolhas de vida de cada uma, a relação permanece viva, “explorando uma relação de sororidade à toda força, que não pode se realizar plenamente devido às condições de uma sociedade verticalmente patriarcal”, reitera a matéria.

Esplêndida beleza

Recompensado com o prêmio “Um Certo Olhar”, no último Festival de Cinema de Cannes, “A Vida Invisível” é valorizado por seus ares biográficos, “uma maneira de registrar a existência de um tempo que passa e transforma tudo”. Le Monde também elogia “a esplêndida beleza” das duas personagens do filme, vividas pelas atrizes Carol Duarte e Julia Stockler que, “se construindo ao fio dos anos não param de se transformar, encontrando força nesse movimento”.

Não passa despercebida a “magnífica fotografia” de Hélène Louvart, que retrata uma “cidade iluminada, com reflexos inebriantes, onde o desejo de viver parece resvalar por tudo”. É no coração desta dimensão plástica Karim Aïnouz instala a relação imaginária das duas irmãs que vivem “esse amor frustrado, moldado pela argila das lembranças, onde cada uma acaba percebendo na ausência da outra o que poderiam se tornar”, conclui.

*Por Daniella Franco, da RFI.


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