Apoio à democracia no Brasil cai, diz DataFolha; Extremismo de direita do Governo Bolsonaro compromete participação popular e princípios democráticos

Plenário da Câmara dos Deputados durante sessão conjunta do Congresso Nacional
Força da representação popular nos parlamentos é fragilizada com doutrina totalitária do Governo Bolsonaro.
Plenário da Câmara dos Deputados durante sessão conjunta do Congresso Nacional
Força da representação popular nos parlamentos é fragilizada com doutrina totalitária do Governo Bolsonaro.

O apoio à democracia como forma de governo sempre melhor que qualquer outra caiu no Brasil no primeiro ano do Governo Bolsonaro, de acordo pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta-feira (01/01/2020), que mostrou, por outro lado, menor expectativa de uma nova ditadura no Brasil.

Uma parcela de 62% dos entrevistados considerou a democracia como melhor forma de governo, abaixo dos 69% da sondagem anterior, realizada na semana do primeiro turno das eleições de outubro de 2018.

Enquanto isso, aumentou de 13% para 22% a fatia do que entendem que tanto faz se o governo é uma democracia ou ditadura. Outros 12% disseram que preferem uma ditadura em certas circunstâncias.

A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

O levantamento mostrou ainda que para 49% não há chance de uma nova ditadura no Brasil, acima dos 42% da pesquisa feita durante o primeiro turno das eleições de 2018. Outros 46% disseram que isso poderia acontecer, enquanto 5% não souberam responder.

O Datafolha questionou ainda se os entrevistados conheciam o Ato Institucional nº 5 (AI-5), considerado o início do período mais duro da ditadura militar.

Uma fatia de 65% disse desconhecer o AI-5, enquanto 35% afirmou já ter ouvido falar no ato. Em novembro de 2008 —última vez que a pesquisa trouxe a pergunta—, os números eram de 82% e 18%, respectivamente.

Em 2019, tanto o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro, quanto o ministro da Economia, Paulo Guedes, fizeram citações públicas ao AI-5 e causaram polêmica.

Em outubro, Eduardo afirmou em entrevista que em caso de radicalização pela esquerda uma resposta “pode ser via um novo AI-5”.

No mês seguinte, foi a vez de Guedes falar do ato. Em entrevista nos Estados Unidos, o ministro disse: “Não se assustem se alguém então pedir o AI-5. Já não aconteceu uma vez? Ou foi diferente?”. Ele fez o comentário ao abordar uma onda de protestos em alguns países da América Latina nos últimos meses de 2019.

O presidente Jair Bolsonaro chegou a lamentar a afirmação do filho, mas, em entrevista posterior, disse que não viu “nada de mais” nas declarações de Eduardo e Guedes sobre um eventual novo AI-5.

O Datafolha ouviu 2.948 pessoas nos dias 5 e 6 de dezembro, em 176 municípios de todo o país.

*Por José de Castro, da Agência Reuters.

Vista noturna do Congresso Nacional do Brasil, em Brasília, DF.
Representação parlamentar é afetada pela doutrina totalitária do Governo Bolsonaro.

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