Senado dos EUA recebe processo de impeachment em dia de cerimônia e formalidade; Órgão do Congresso dos EUA diz que Governo Trump violou Lei

O Senado dos Estados Unidos adotará medidas formais nesta quinta-feira (16/01/2020) para avaliar o afastamento do presidente Donald Trump por abuso de poder, mas questões centrais, como se testemunhas deporão ou não em seu julgamento de impeachment, continuam no ar.

Na quarta-feira, a Câmara dos Deputados de maioria democrata enviou duas acusações formais contra Trump ao Senado controlado pelos republicanos, encaminhando o início do terceiro julgamento de impeachment de um presidente norte-americano na semana que vem.

A cerimônia, e não a substância, dará o tom dos procedimentos desta quinta-feira, quando os vários “promotores” da Câmara que processam Trump apresentarão os artigos de impeachment ao Senado às 12h.

O Senado convidará o presidente da Suprema Corte, John Roberts, a ir à Casa às 16h (horário de Brasília) para fazer o juramento como presidente do julgamento. A seguir os 100 senadores prestarão juramento e o Senado notificará a Casa Branca a respeito do julgamento iminente de Trump.

Seguindo essencialmente os alinhamentos partidários, A Câmara dos Deputados aprovou por 228 a 193 encarregar o Senado de julgar o presidente republicano devido a acusações de abuso de poder por pedir à Ucrânia para investigar o rival político Joe Biden e de obstrução de Congresso por barrar depoimentos e documentos solicitados pelos parlamentares democratas.

O Senado deve absolver Trump e mantê-lo no cargo, já que nenhum dos 53 republicanos expressou apoio à sua remoção —uma medida que exigiria uma maioria de dois terços.

Mas o impeachment de Trump na Câmara no mês passado é uma mácula em seu histórico, e o julgamento televisionado no Senado pode lhe criar constrangimento agora que ele busca a reeleição. O ex-vice-presidente Biden é um dos favoritos da disputa pela indicação democrata para enfrentá-lo na eleição de 3 de novembro.

Trump nega irregularidades e qualificou o processo de impeachment como uma farsa.

Um evento crucial para o processo foi um telefonema de 25 de julho no qual Trump pediu ao presidente ucraniano que investigasse Biden e seu filho, Hunter Biden, por corrupção e que analisasse uma teoria desacreditada segundo a qual a Ucrânia, e não a Rússia, tinha interferido na eleição norte-americana de 2016.

Os republicanos argumentam que esta ação e a retenção de 391 milhões de dólares em ajuda de segurança à Ucrânia em troca das investigações não chegam a ser delitos dignos de impeachment, e acusaram os democratas de usarem o caso ucraniano para anular a vitória de Trump em 2016.

Órgão do Congresso dos EUA diz que governo Trump violou Lei ao reter ajuda à Ucrânia

A Casa Branca violou a lei federal ao reter ajuda de segurança aprovada pelos parlamentares para a Ucrânia, disse um órgão regulador apartidário do Congresso dos Estados Unidos nesta quinta-feira, em um golpe para o presidente norte-americano, Donald Trump, num momento em que o Senado se prepara para realizar um julgamento sobre se ele deve ser removido do cargo.

Na quarta-feira, a Câmara dos Deputados dos EUA, dominada pelos democratas de oposição a Trump, enviou ao Senado, controlado pelos partidários republicanos do presidente, acusações que aprovaram no mês passado e que afirmam que Trump abusou de seu poder e obstruiu o Congresso em suas tratativas com a Ucrânia, abrindo caminho para ele se tornar o terceiro presidente norte-americano alvo de um julgamento de impeachment.

O abuso de poder citado pela Câmara inclui a retenção por Trump de uma ajuda de segurança aprovada pelo Congresso de 391 milhões de dólares para a Ucrânia, na tentativa de pressionar Kiev a investigar Joe Biden, ex-vice-presidente dos EUA e possível adversário democrata de Trump na eleição presidencial de 3 de novembro deste ano.

Órgão do Congresso, o GAO é visto como uma importante agência de auditoria para o governo federal que aconselha parlamentares e várias entidades governamentais sobre como são gastos os dólares dos contribuintes.

Suas conclusões não são legalmente vinculantes, mas seus relatórios são vistos pelos parlamentares como objetivos, confiáveis e geralmente incontestáveis. O GAO não tem poder processual.

Embora a avaliação da agência seja um revés para Trump, não estava claro como ou mesmo se ela constará de seu julgamento no Senado, dado que questões-chave, como se testemunhas prestarão depoimento ou se novas evidências serão consideradas, permanecem no ar.

Os democratas disseram que o relatório do GAO mostra a importância de testemunhas e da consideração de novos documentos no julgamento pelo Senado.

“Isso reforça, novamente, a necessidade de documentos e testemunhas oculares no Senado”, disse a presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi, em entrevista coletiva.

Os 391 milhões de dólares foram aprovados pelos parlamentares para ajudar a Ucrânia a combater separatistas apoiados pela Rússia no leste daquele país. Depois de ser retido pela Casa Branca, o montante foi finalmente liberado para a Ucrânia em setembro, depois que a controvérsia sobre o caso veio a público.

*Com informações de Susan Cornwell, Patricia Zengerle, Richard Cowan e David Morgan, da Agência Reuters.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.



Dupla de profissionais de saúde sorrindo, vestindo uniformes, com uma cidade ao fundo e texto promocional sobre saúde.
Banner promocional da JADS FOTO, destacando serviços de fotografia e personalização, incluindo contatos e lista de produtos.
Logo da RFI em português, com as letras 'rfi' em vermelho sobre fundo branco e a palavra 'português' em vermelho, abaixo com uma linha horizontal.
Imagem comemorativa de 19 anos do Jornal Grande Bahia, destacando seu compromisso com jornalismo independente e informação precisa.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading