Banco Mundial vê queda do PIB brasileiro de 5% em 2020

David Malpass, presidente Banco Mundial.
David Malpass, presidente Banco Mundial.

O Banco Mundial projetou neste domingo (12/04/2020) uma queda do Produto Interno Bruto (PIB) de 5% para o Brasil neste ano, um pouco mais acentuado do que o recuo médio de 4,6% calculado para a região da América Latina e Caribe, destacando a necessidade de respostas urgentes ao forte impacto do coronavírus nas economias.

Para o ano que vem, a estimativa do Banco Mundial é de avanço de 1,5% do PIB brasileiro, seguido por crescimento de 2,3% em 2022. A perspectiva é mais tímida que a calculada para a América Latina e Caribe, que deve crescer na média 2,6% tanto em 2021 quanto em 2022.

A forte contração prevista para a economia brasileira este ano contrasta com o cálculo oficial do governo, que ainda é de crescimento zero. No entanto, autoridades da equipe econômica como o secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, já têm admitido que o desempenho deve ficar no terreno negativo.

Mansueto chegou a dizer que qualquer estimativa neste momento seria um chute, dadas as enormes incertezas sobre o impacto e a duração do surto da doença do novo coronavírus.

Em seu relatório “A Economia nos Tempos da Covid-19”, o Banco Mundial ressaltou que políticas devem ser adotadas em “diversas frentes” para apoio aos mais vulneráveis e proteção de empregos, e também para evitar uma crise financeira em meio às medidas de isolamento social que têm sido tomadas para refrear as infecções.

O Banco Mundial ressaltou que muitos países da região estão enfrentando a crise com espaço fiscal limitado, em economias marcadas por níveis mais elevados de informalidade. Também lembrou que os países exportadores de commodities, como o Brasil, devem sofrer pela drástica queda de demanda no mundo.

“Muitas famílias vivem ‘da mão para a boca’ e não dispõem de recursos para suportar os bloqueios e quarentenas necessários para conter a propagação da pandemia”, afirmou a entidade, apontando para a necessidade de extensão dos programas de assistência social.

“Ao mesmo tempo, os governos terão que arcar com grande parte do prejuízo. Socializar esse prejuízo pode exigir a aquisição de participação em instituições do setor financeiro e empregadores estratégicos por meio de recapitalização. Esse apoio será essencial para preservar os empregos e possibilitar a recuperação”, acrescentou.

Na visão do Banco Mundial, esse processo deve ser feito com transparência, através de acordos sólidos para administração dos ativos recém-adquiridos.

*Com informações de Marcela Ayres, da Agência Reuters.


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