Desinformação e lentidão do Governo Bolsonaro agravam crise no Brasil

Em plena quaretena, desinformação gera filas de trabalhadores nas agências da Receita Federal em várias cidades.
Em plena quaretena, desinformação gera filas de trabalhadores nas agências da Receita Federal em várias cidades.

Atrapalhado na construção de um consenso para ajuda de emergência a empresas, insensível aos trabalhadores, com propostas de cortes de salários, e lento na liberação de recursos para auxílio às famílias mais vulneráveis, o governo Bolsonaro continua atônito diante da chegada da tormenta causada pela crise sanitária. Se, antes da eclosão da pandemia do coronavírus, o Brasil ensaiava um voo de galinha com o “pibinho” de Paulo Guedes, agora a incompetência do governo no cenário de depressão econômica que se avizinha pode empurrar o país ao verdadeiro caos econômico e social.

A liberação do auxílio emergencial de R$ 600 a trabalhadores informais segue o padrão de confusão e desinformação praticado pela equipe econômica do ministro Paulo Guedes. Jornais informam que após o anúncio da disponibilidade para pagamento do auxílio, a partir desta quinta-feira (09/04/2020), filas enormes já eram vistas nas agências da Receita Federal de algumas cidades do país.

Em plena pandemia, as aglomerações podem virar rotina. O motivo: o governo avisou que poderá receber o benefício apenas quem estiver com CPF regularizado. Em meio à desinformação geral e de modo desorganizado, a Receita informa que a regularização deve ser feita prioritariamente pela internet. Segundo dados do próprio governo, 27 milhões de pessoas tentaram se inscrever para acessar a renda básica emergencial nos últimos dois dias.

Enquanto o relógio da crise segue implacável, cravando os dias de desgoverno, Guedes e assessores do Ministério da Economia reagem com lentidão, sem colocar em prática medidas fundamentais para socorrer empresas e trabalhadores. Com quase dois meses de chegada do coronavírus ao país, a administração de Bolsonaro está paralisada diante da devastação provocada pelo surto da doença.  A imprensa noticia, por exemplo, que o governo estuda – mas não tira do papel – um plano para utilizar o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES) na criação de um fundo que permita dar crédito a pequenas e médias empresas a juros baixos.

Incompetência no manejo do BNDES

Dotado de competente corpo técnico, o BNDES foi, nos governos do PT, um poderoso instrumento de fomento das cadeias produtivas do país, fornecendo linhas de crédito que garantiram crescimento econômico e geração de milhões de empregos. Banco com papel decisivo na história de desenvolvimento do país, e modelo de governança mundial, o BNDES foi vítima de investidas criminosas e irresponsáveis na esteira do desmonte da área de infraestrutura – construção civil e setor naval – promovido pela Lava Jato. Agora, sofre com a incompetência da guinada ultraneoliberal e conservadora de Guedes.

Apesar disso, o BNDES sustenta que vem atuando contra os efeitos econômicos do coronavírus. O portal do órgão anunciou ações em vários setores, como crédito para folha de pagamento, linha de crédito para o setor de saúde, amortizações de empréstimos e “transferências de recursos para atender o trabalhador”. Na prática, no entanto, a história é bem diferente. O dinheiro não aparece, não circula. E as propostas do governo, quando não são tímidas, colocam o trabalhador contra a parede, como a MP 936, que autoriza as empresas a cortarem salários e reduzirem até 70% da jornada de trabalho.

“Os que precisam de liquidez neste momento são pessoas pobres”, afirmou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista à Associated Press, com repercussão em diversas agências de notícia internacionais. “Para vencer o coronavírus, precisamos de mais Estado, mais ação das autoridades públicas, de ganhar dinheiro novo e garantir que ele chegue às mãos das pessoas”.

A julgar pelo modo desastroso como o governo conduz o país em meio à maior crise de sua história, o dinheiro deve evaporar. Com sucessivas revisões para baixo desde o início do ano – portanto, antes da chegada da Covid-19 ao país –, a retração do Produto Interno Bruto (PIB) pode chegar a inacreditáveis 4% em 2020, segundo projeções de economistas. Os mais pessimistas preveem até 6% da queda da atividade econômica.

O desemprego ameaça explodir, com grande probabilidade de deixar 17 milhões de trabalhadores desocupados ainda neste semestre, de acordo com o Instituto Brasileiro de Economia (IBRE), da Fundação Getulio Vargas (FGV).


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.



Dupla de profissionais de saúde sorrindo, vestindo uniformes, com uma cidade ao fundo e texto promocional sobre saúde.
Banner promocional da JADS FOTO, destacando serviços de fotografia e personalização, incluindo contatos e lista de produtos.
Logo da RFI em português, com as letras 'rfi' em vermelho sobre fundo branco e a palavra 'português' em vermelho, abaixo com uma linha horizontal.
Imagem comemorativa de 19 anos do Jornal Grande Bahia, destacando seu compromisso com jornalismo independente e informação precisa.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading