Governo Bolsonaro tenta conciliar teto de gastos com plano para retomada da economia

Ministro Paulo Guedes, economista neoliberal discípulo de Milton Friedman, professor da Escola de Chicago.
Ministro Paulo Guedes, economista neoliberal discípulo de Milton Friedman, professor da Escola de Chicago.

A conciliação de investimentos públicos almejados pelo governo com a regra do teto de gastos está em estudo no que vem sendo tratado como o Plano Marshall para a economia, destinado a reerguer o país passada a fase mais aguda da crise com o coronavírus.

“(Isso) será definido ao longo do tempo”, informou uma fonte com conhecimento direto do assunto nesta quarta-feira (22/04/2020).

Em condição de anonimato a fonte pontuou que as obras de infraestrutura prioritárias estão sendo estudadas dentro de um plano de ação que ainda está em formatação.

Mais cedo nesta quarta-feira, o presidente Jair Bolsonaro se reuniu com o alto escalão da Esplanada dos Ministérios, na companhia do vice-presidente Hamilton Mourão, e com os presidentes do Banco Central e de bancos públicos.

Boa parte dos integrantes do encontro integra o Comitê de Crise para Supervisão e Monitoramento dos Impactos da Covid-19, que foi criado em meados de março e é coordenado pelo ministro da Casa Civil, general Braga Netto.

Na semana passada, inclusive, Braga Netto assinou uma resolução criando um grupo de trabalho para colocar de pé “ações estruturantes e estratégicas para recuperação, crescimento e desenvolvimento do país”, no âmbito do comitê.

Entre as tarefas do grupo, está a definição de medidas na área de infraestrutura com obras públicas de responsabilidade da União e parcerias com o setor privado.

Na segunda-feira o ministro de Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, já havia pontuado, ao ser questionado sobre de onde o governo tiraria recursos para manter obras de infraestrutura em andamento, que “não há outro caminho que não seja trazer recursos para o Orçamento e isso tem que ser feito via endividamento”.

Embora o ministro da Economia, Paulo Guedes, tenha participado da reunião nesta manhã, as discussões estão sendo lideradas por Braga Netto, informou uma segunda fonte à Reuters.

A equipe econômica é refratária à mensagem de uso de recursos públicos para alavancar a economia e tem defendido que isso deve ocorrer através da atração de investimentos privados a partir da realização de reformas.

*Com informações Marcela Ayres, da Agência Reuters.


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