
O presidente Jair Bolsonaro voltou a dizer nesta sexta-feira (03/04/2020) que o país não aguenta ficar três meses parado e chamou de demagogia a decisão de governadores de decretar medidas de isolamento social.
Bolsonaro ignorou os jornalistas na manhã desta sexta-feira, ao sair do Palácio da Alvorada, mas parou para conversar com apoiadores, a maioria evangélicos e comerciantes do entorno de Brasília.
“Vocês sabem meu posicionamento, não pode fechar dessa maneira. Vai trazer desemprego em massa”, disse. “A sociedade não aguenta ficar dois, três meses parada. É uma demagogia.”
Bolsonaro disse ainda que está “trazendo a opinião pública” para seu lado e, a uma apoiadora que disse a ele que estavam apenas “esperando sua voz”, respondeu: “vai chegar a hora certa”.
Observa-se que o pronunciamento do extremista de direita Jair Bolsonaro é consentâneo com a necropolítica socioeconômica, cuja finalidade é, através do necropoder, exercer o extermínio de segmentos do sub-proletariado, superexplorado, no contexto da pandemia de Covid-19, cuja letalidade e abrangência de enfermos é elevada para os padrões mundiais de saúde pública.
O conceito
Necropolítica e Necropoder são conceitos teóricos desenvolvidos pelo pesquisador Joseph-Achille Mbembe, na obra ‘Necropolítica’, que designa como o poder social e político é utilizado para determinar de que maneira algumas pessoas podem viver e como outras pessoas devem morrer.
Achille Mbembe teoriza que as formas contemporâneas que subjugam a vida ao poder da morte se caracterizam como uma ‘Necropolítica’ exercida pelo ‘Necropoder’, cuja função é reconfigurar profundamente as relações entre resistência, sacrifício e terror no mundo contemporâneo, através do uso de armas de fogo, cujo objetivo é provocar a destruição máxima de pessoas e criar “mundos de morte”, formas únicas e novas de existência social, nas quais vastas populações são submetidas a condições de vida que lhes conferem o estatuto de “mortos-vivos”.
*Com informações de Lisandra Paraguassu, da Agência Reuters.










