Relatores de direitos humanos criticam políticas do Governo Bolsonaro durante pandemia de Covid-19

Em comunicado, Juan Pablo Bohoslavsky disse que país deveria abandonar imediatamente medidas de austeridade, que datam de 2016, e combater desigualdade e pobreza agravadas pela pandemia. Alguns esforços do país foram elogiados, mas relatores dizem que é preciso fazer mais.
Especialistas em direitos humanos da ONU, Juan Pablo Bohoslavsky expressou preocupação de que a política do Governo Bolsonaro estaria “priorizando a economia sobre a vida das pessoas.”
Em comunicado, Juan Pablo Bohoslavsky disse que país deveria abandonar imediatamente medidas de austeridade, que datam de 2016, e combater desigualdade e pobreza agravadas pela pandemia. Alguns esforços do país foram elogiados, mas relatores dizem que é preciso fazer mais.
Especialistas em direitos humanos da ONU, Juan Pablo Bohoslavsky expressou preocupação de que a política do Governo Bolsonaro estaria “priorizando a economia sobre a vida das pessoas.”

“A epidemia da Covid-19 ampliou os impactos adversos de uma emenda constitucional de 2016 que limitou os gastos públicos no Brasil por 20 anos”. A declaração é do especialista independente* em direitos humanos e dívida externa, Juan Pablo Bohoslavsky, e do relator especial* sobre pobreza extrema, Philip Alston. Para eles, “os efeitos são agora dramaticamente visíveis na crise atual”.

Municípios

Num comunicado**, os especialistas observam que apenas 10% dos municípios brasileiros possuem leitos de terapia intensiva. Já o Sistema Único de Saúde não tem nem a metade do número de camas hospitalares recomendado pela Organização Mundial da Saúde.

“Os cortes de financiamento governamentais violaram os padrões internacionais de direitos humanos, inclusive na educação, moradia, alimentação, água e saneamento e igualdade de gênero”, afirmaram.

“O sistema de saúde enfraquecido está sobrecarregado e colocando em risco os direitos à vida e à saúde de milhões de brasileiros que estão seriamente em risco. Já é hora de revogar a Emenda Constitucional 95 e outras medidas de austeridade contrárias ao direito internacional e aos direitos humanos”.

O Sistema Único de Saúde não tem nem a metade do número de camas hospitalares recomendado pela Organização Mundial da Saúde.

Economia

Especialistas em direitos humanos da ONU expressaram a preocupação de que a política brasileira estaria “priorizando a economia sobre a vida das pessoas.”

“Em 2018, pedimos ao Brasil que reconsiderasse seu programa de austeridade econômica e colocasse os direitos humanos no centro de suas políticas econômicas”, disseram. “Também expressamos preocupações específicas sobre os mais atingidos, particularmente mulheres e crianças vivendo em situação de pobreza, afrodescendentes, populações rurais e pessoas em assentamentos informais “.

“Não pode se permitir colocar em risco a saúde e a vida da população, inclusive dos trabalhadores da saúde, pelos interesses financeiros de uns poucos”, ressaltaram. “Quem será responsabilizado quando as pessoas morrerem por decisões políticas que vão contra a ciência e o aconselhamento médico especializado?”.

Esforços

O Brasil tem feito vários esforços louváveis, eles observaram. “A renda básica emergencial, bem como a implementação das diretrizes de distanciamento social das autoridades subnacionais, são medidas de salvamento de vidas que são bem-vindas. No entanto, é preciso fazer mais”.

“Em uma recente declaração e carta aos governos e instituições financeiras internacionais, eu forneci recomendações econômicas, fiscais e tributárias concretas”, disse Bohoslavsky.

Oportunidade

“A COVID-19 crise deve ser uma oportunidade para os Estados repensarem suas prioridades, por exemplo, introduzindo e melhorando os sistemas universais de saúde e proteção social, bem como implementando reformas tributárias progressivas, disseram os especialistas da ONU.

“Os Estados de todo o mundo devem construir um futuro melhor para suas populações, e não valas comuns”.

A declaração dos especialistas foi endossada pelo Léo Heller, relator especial sobre direitos humanos à água potável e saneamento; Hilal Elver, relatora para o direito à alimentação, Leilani Farha, relatora sobre  o direito à moradia adequada, Dainius Pūras, sobre o direito à saúde física e mental; Koumbou Boly Barry, relatora especial sobre o direito à educação, e o Grupo de Trabalho sobre discriminação contra mulheres e meninas: Meskerem Geset Techane (Presidente), Elizabeth Broderick (Vice-Presidente), Alda Facio, Ivana Radačić, e Melissa Upreti.

*Os especialistas e relatores de direitos humanos são independentes das Nações Unidas e não recebem salário por sua atuação.

** Comunicado preparado em português pelo Alto Comissariado de Direitos Humanos.

*Com informações da ONU News.


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