Feira de Santana em História: UEFS discute Chico Pinto | Por Adilson Simas

Há 13 anos, em setembro de 2007 a UEFS realizou durante dois dias um seminário abordando a vida e a trajetória de Francisco Pinto. Um fato raro, pois antes era impossível imaginar a reitoria reunindo no campus professores, alunos, historiadores e convidados ilustres tendo como tema Chico Pinto. Aproveitei aquele momento e no programa Primeira Página ancorado pelo jornalista Valdomiro Silva, na Rádio Povo e falei sobre o líder feirense quando prefeito. Vale a pena lembrar.

Eleito para o quatriênio 1963/1966, Pinto governou apenas um ano e 29 dias. A posse aconteceu em 7 de abril de 1963 e foi deposto em 8 de maio do ano seguinte, pouco mais de 30 dias depois do golpe militar de março de 1964.

Dotar a Prefeitura de uma moderna estrutura administrativa foi a primeira grande tarefa. Até então tudo na Prefeitura era decidido pelo prefeito ou seu chefe de gabinete.

Pinto instituiu então as secretarias municipais, inicialmente em número de cinco, mais o Chefe de Gabinete, tendo como titulares pessoas representativas da cidade.

Foram secretários os vereadores Colbert Martins e Jackson do Amaury, o empresário João Torres Dantas Filho, o advogado Roque Aras, o agrônomo Waldemar Matos, o médico Milton Marinho e o bancário Marcone Dias.

Em cada secretaria, além dos departamentos, chefias e seções, existia a figura do Oficial de Gabinete, recrutado entre os jovens estudantes, quase todos, membros dos grêmios colegiais existentes. Entre eles estavam Celso Daltro, Antonio Carlos Coelho, Celso Pereira, Nilton Belas Vieira e Normando Leão.

Coube a Chico Pinto levar calçamento até os subúrbios, como se dizia na época, pois até então as pavimentações aconteciam apenas no centro e ruas vizinhas.

O distante Sobradinho, por exemplo, ficou mais perto do centro comercial via antigo Nagé, graças ao calçamento que Pinto fez no prolongamento da Rua Voluntários da Pátria e toda a extensão da Rua Arivaldo Carvalho.

O mesmo aconteceu na tradicional Queimadinha. O calçamento na sua principal via a Rua Intendente Abdon, desde o antigo Cruzeirinho à extinta Caeira para chegar à Rua Aloísio Resende e em seguida o centro, fez de Pinto um ídolo daquela comunidade até então isolada da cidade.

Ainda nesta área, Dona Pombinha testemunhou as emoções vividas pelos moradores da Galiléia, quando o caminhão da Prefeitura chegou trazendo paralelepípedos para o calçamento das ruas General Guedes e Cosme da Farias.

Assim como acontece ainda nos dias atuais, a cidade parou no distante 1963 para assistir ao desfile dos modernos veículos equipados adquiridos por Chico Pinto substituindo o velho caminhão e até carroças que faziam a coleta do lixo na sede e zona rural.

Foi no tempo de Pinto que o feirense conheceu pela primeira vez a Farmácia Popular, hoje fazendo sucesso pelo país afora. Foi também no seu tempo que aqui surgiu a Cesta do Povo, batizada, com o nome de Central de Abastecimento, no imóvel da Rua Senador Quintino onde hoje funciona a sede central da AFAS.

Diferente do que se tenta passar, Chico Pinto implantou e colocou em funcionamento o Ginásio Municipal. Tanto que seu nome foi colocado no grêmio estudantil e só retirado quando ele também foi retirado da prefeitura, depois do golpe de 64.

Antes de Pinto, quando o jovem concluía o antigo primário – e eu estava entre eles, o futuro ginasiano tinha apenas duas opções. O Ginásio Estadual da rede pública e o Ginásio Santanópolis, da rede particular.

Eu, por exemplo, participei da implantação do Ginásio Municipal em 1963 como aluno matriculado na 2ª série, depois de fazer a 1ª série no Santanópolis, no ano anterior, com meia bolsa fornecida pela prefeitura.

Pinto implantou o ginásio utilizando o imóvel onde hoje funciona o Museu de Arte Contemporâneo, as dependências do antigo Albergue Noturno (hoje numa das suas salas funciona a sede do Fluminense) e em mais duas salas construídas onde existia a Balança Municipal. Ainda no seu tempo as primeiras medidas para a edificação do atual imóvel, junto a Padre Palmeira, secretário de Educação do Estado.

Aliás, o Estado contou com Pinto para executar grandes obras na cidade. O Fórum Filinto Bastos e o Ginásio Estadual, por exemplos, foram edificados em áreas doadas na sua gestão. A propósito, a Escola Estadual Eduardo Motta, no bairro Serraria Brasil, foi construída e inaugurada por Chico Pinto.

Em que pese seu curto período à frente do executivo feirense – um ano e 29 dias, muito ainda teria para lembrar como realizações do governo “Chico Pinto na Prefeitura é o povo governando”. O que faremos numa outra oportunidade.

*Adilson Simas, jornalista, atua em Feira de Santana.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.



Banner de Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.
Banner com tema Assine o JGB no Google.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading