Angola, Brasil e Moçambique são citados em novo relatório contra tuberculose

Antes da pandemia de Covid-19, muitos países estavam fazendo progressos no combate à tuberculose, com uma redução de 9% na incidência entre 2015 e 2019. No mesmo período, as mortes caíram 14%.

No entanto, um novo relatório da Organização Mundial da Saúde, OMS, mostra que o acesso aos serviços continua a ser um desafio e que as metas globais de prevenção e tratamento não devem ser cumpridas sem ações e investimentos urgentes.

Regiões

Em 2019, cerca de 1,4 milhão de pessoas morreram de doenças relacionadas à tuberculose. Cerca de 10 milhões de pessoas desenvolveram a doença nesse ano, mas 3 milhões não foram diagnosticados ou não relataram seu caso às autoridades nacionais.

A OMS publicou estimativas sobre a incidência total de casos nos 30 países mais afetados. A Índia lidera a lista, com cerca de 2,6 milhões de casos, seguida pela Indonésia, com 845 mil casos, e a China, com 833 mil.

Três países de língua portuguesas fazem parte da lista. Em Angola, a tendência tem sido de descida, e foram estimados 112 mil casos no ano passado. Já Moçambique tem mantido seus números estáveis, com cerca de 110 mil casos. No Brasil, a incidência está subindo desde 2016, chegando no ano passado a 96 mil.

Tratamento

A tuberculose é mais grave para pessoas com formas da doença resistente a medicamentos. Cerca de 465 mil pessoas foram recentemente diagnosticadas e menos de 40% conseguiram obter tratamento.

Em comunicado, o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, disse que “o acesso equitativo a diagnóstico, prevenção, tratamento e cuidados de qualidade e oportunos continua a ser um desafio. ”

Cerca de 14 milhões de pessoas foram tratadas para tuberculose no período 2018-2019, cerca de um terço da meta traçada para os 5 anos até 2022, 40 milhões.

Em relação a tratamento preventivo, chegou a cerca de 6,3 milhões de pessoas, um quinto da meta a 5 anos de 30 milhões.

Financiamento

Em 2020, o financiamento para prevenção, diagnóstico, tratamento e cuidados atingiu US$ 6,5 bilhões, representando metade da meta de US$ 13 bilhões, acordada na Declaração Política da ONU sobre Tuberculose.

As interrupções nos serviços causadas pela pandemia Covid-19 levaram a mais retrocessos. Em muitos países, recursos humanos e financeiros foram realocados e os sistemas de coleta de dados também foram impactados negativamente.

Pandemia

De acordo com o novo relatório, dados de mais de 200 países mostraram reduções significativas nas notificações de novos casos.

Países com alta carga, como Índia, Indonésia e Filipinas, tiveram quedas de 25 a 30% entre janeiro e junho. Essas reduções podem levar a um aumento dramático nas mortes por tuberculose.

Muitos países tomaram medidas para mitigar o impacto da pandemia, -como expansão do uso de tecnologias digitais e tratamento domiciliar.

Em comunicado, a diretora do Programa Global de Tuberculose da OMS, Tereza Kaseva, disse que “durante a pandemia, os países, a sociedade civil e outros parceiros uniram forças para garantir que os serviços essenciais fossem mantidos. ” Segundo ela, “esses esforços são vitais para fortalecer os sistemas de saúde, garantir saúde para todos e salvar vidas. ”

Alvos globais

Em 2014, todos os Estados-membros adotaram a Estratégia da OMS para Acabar com a Tuberculose.

A meta do documento é reduzir 90% nas mortes e 80% na taxa de incidência até 2030, em comparação com 2015. Entre os objetivos para 2020, estão a baixar a taxa de incidência em um quinto e 35% nas mortes.

Em setembro de 2018, aconteceu a primeira reunião de alto nível sobre tuberculose na Assembleia Geral da ONU. Durante o encontro, foi adotada a Declaração Política da ONU sobre Tuberculose, que inclui quatro novas metas para o período entre 2018 e 2020, incluindo o tratamento de 40 milhões de pessoas e tratamento preventivo para pelo menos 30 milhões.

Mobilizar pelo menos US$ 13 bilhões anualmente para o acesso universal ao diagnóstico, tratamento e cuidados é outro dos objetivos.

A tuberculose continua sendo a doença infecciosa que mata mais pessoas no mundo.  Aproximadamente 90% das vítimas vivem nos 30 países mais afetados.

 A tuberculose é evitável e curável. Cerca de 85% das pessoas que desenvolvem os sintomas podem ser tratadas com sucesso com um regime de medicamentos de 6 meses. Desde 2000, o tratamento evitou mais de 60 milhões de mortes.


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Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
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