MPs Estadual e Federal pedem intervenção judicial no Hospital Regional de Juazeiro

Hospital Regional de Juazeiro.
Hospital Regional de Juazeiro.

Os Ministérios Públicos estadual e Federal do Estado da Bahia pediram à Justiça, em ação civil pública ajuizada pela promotora de Justiça Rita de Cássia Rodrigues e pela procuradora da República Ticiana Nogueira, a decretação de intervenção judicial no Hospital Regional de Juazeiro. É solicitado o afastamento definitivo da diretoria da Associação de Proteção à Maternidade e à Infância de Castro Alves (Apmica) da gestão administrativa e hospitalar da unidade, com nomeação de junta interventora. Segundo a ação, a intervenção teria o objetivo de reorganizar a prestação dos serviços de saúde até que seja possível a reformulação do funcionamento do Hospital, seja por seleção de nova administradora ou por retomada direta dos serviços pelo Estado da Bahia ou pela União. Conforme o pedido, a intervenção duraria 180 dias, prorrogável por igual período.

A gestão do Hospital pela Apmica, formalizada via contrato da organização social (OS) com a Secretaria estadual de Saúde (Sesab), é objeto de investigações que apontam para uma série de irregularidades na prestação do serviço e “evidência de desvios” da verbas federais destinadas à unidade. Problemas graves como falta de medicamentos, atrasos salariais e a ausência de condições de trabalho, incluindo falta de EPIs para combate à Covid-19, teriam persistido durante o período da pandemia, mesmo após o aumento do repasse de verbas para enfrentamento do novo coronavírus. As autoras da ação apontam ainda que não há transparência na prestação de contas do contrato entre o Estado e a Apmica.

Ajuizada em agosto último, a ação civil estava sob sigilo, por conta das investigações sobre o desvios de recursos e foi despachada pela Justiça ontem, dia 24, com intimação do Estado para se manifestar em um prazo de 48 horas. O sigilo foi retirado após a deflagração, no último dia 19, da Operação Metástase, com o objetivo de cumprir em Salvador, Castro Alves, Guanambi e Juazeiro, cinco mandados de prisão preventiva, um de temporária e 16 mandados de busca e apreensão em razão das irregularidades no uso dos recursos públicos destinados ao Hospital.

Na ação, a promotora e a procuradora solicitam também que a Justiça determine à junta interventora a adoção de providências para reestruturação e readequação do atendimento médico-hospitalar na unidade, assegurando a mais eficaz e adequada aplicação dos recursos públicos, enviando à Justiça relatório a cada 30 dias das atividades de gestão desenvolvidas, além de realizar levantamento da situação administrativa, financeira e patrimonial da entidade, com entrega de relatório em até 60 dias. Segundo o pedido, a Sesab e Associação devem ser obrigadas a manter a prestação dos serviços de saúde, sob coordenação da junta interventora por até 60 dias, assegurando os recursos financeiros suficientes para abastecimento adequado de medicamentos e insumos, aquisição de materiais e equipamentos, como também cumprindo os contratos de trabalho dos empregados e demais pessoas que prestam os serviços de atendimento de saúde do Hospital.

 


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Facebook
Threads
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading

Privacidade e Cookies: O Jornal Grande Bahia usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso deles. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, consulte: Política de Cookies.