Acordo da força-tarefa do Caso Lava Jato com holandesa Phillips é cem vezes menor do que valor aplicado à Odebrecht

No mesmo dia em que a assessoria do Ministério Público Federal (MPF) anunciava um acordo de leniência de R$ 59,9 milhões com a empresa Philips Medical Systems, no âmbito da Operação Lava Jato, o Tribunal de Contas da União (TCU) concedia 15 dias para a Procuradoria Geral da República enviar informações sobre multas e acordos de leniência no âmbito de todas as operações do MPF.

O acordo com a Philips Medical Systems, braço no setor de saúde da empresa holandesa, foi homologado no último dia 3 pela 5ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF e pelo juiz Marcelo Bretas, responsável pela Lava Jato no Rio de Janeiro, mas as informações só foram divulgadas nesta quarta. O valor do acordo é cerca de cem vezes menor que os R$ 6,7 bi aplicados à Odebrecht em 2016.

A empresa reconheceu fraudes em vendas de equipamentos feitas para o Ministério da Saúde e a Secretaria de Saúde fluminense. A Philips se tornou alvo de investigação no âmbito da Operação Ressonância. A investigação apurava fraudes em licitações na Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro e no Into (Instituto Nacional de Traumatologia) desde 1996.

Segundo o portal ‘Consultor Jurídico’, a representação foi formulada pelo subprocurador do MP junto ao TCU Lucas Rocha Furtado e assinada nesta quarta (09/12/2020) pelo ministro Bruno Dantas. Furtado requeriu detalhes sobre as instituições beneficiadas pelos valores recuperados e também informações sobre a criação e utilização de fundações por integrantes do MPF para gerir esses recursos.

“Em adição a isso, a fim de instruir essa questão com mais profundidade, entendo necessário que sejam apurados, no âmbito da operação Lava Jato em Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo, bem como de todas as unidades do Ministério Público Federal, os valores das multas arrecadadas nos acordos de delação e de leniência, com a indicação dos responsáveis que efetivamente pagaram as multas, os que não pagaram, bem como os respectivos destinos que foram dados a esses montantes, indicando detalhadamente as instituições beneficiadas”, diz o despacho do TCU.

O TCU quer saber quem já pagou, quanto foi pago e como todo esse dinheiro, que atinge somas bilionárias, está sendo gerido pela Justiça e pelos procuradores. O interesse recai sobre o fato de o dinheiro recuperado pela Lava Jato ser recurso público que pertence à União, e ao fato de procuradores não terem previsão legal para gerir dinheiro do Tesouro Nacional.

O destino desses bilhões de reais também é foco do procurador-Geral da República, Augusto Aras. Na semana passada, ele mandou bloquear um pagamento que seria feito pela J&F, dos irmãos Wesley e Joesley Batista, a uma ONG que seria criada para gerir um fundo social de R$ 2,3 bilhões, dos R$ 10,3 bilhões totais do acordo da holding com o MPF.

A Lava Jato de Curitiba também tentou fazer o mesmo com R$ 2,5 bilhões de multa paga pelo Petrobras nos Estados Unidos. O acordo, feito a partir de denúncia formulada pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos com a participação de cinco delatores a ajuda da força tarefa, não obedeceu aos trâmites formais e sequer era de conhecimento do Ministério da Justiça. Foi barrada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.



Dupla de profissionais de saúde sorrindo, vestindo uniformes, com uma cidade ao fundo e texto promocional sobre saúde.
Banner promocional da JADS FOTO, destacando serviços de fotografia e personalização, incluindo contatos e lista de produtos.
Logo da RFI em português, com as letras 'rfi' em vermelho sobre fundo branco e a palavra 'português' em vermelho, abaixo com uma linha horizontal.
Imagem comemorativa de 19 anos do Jornal Grande Bahia, destacando seu compromisso com jornalismo independente e informação precisa.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading