Desgoverno Bolsonaro optou por cobertura mínima de apenas 10% em aliança mundial de vacinas

Ministro Eduardo Pazuello e o presidente Jair Bolsonaro.
Ministro Eduardo Pazuello e o presidente Jair Bolsonaro.

Mesmo com a possibilidade de que governos fizessem uma solicitação de vacinas que poderia atender até 50% da população dos países presentes na aliança mundial de vacinas, a Covax Facility, o governo brasileiro optou pela menor cobertura possível. Segundo o colunista do Uol, Jamil Chade, o Brasil solicitou a menor taxa de cobertura permitida, de 10% dos brasileiros.

Lançada em abril, a aliança faz parte de uma iniciativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) e foi estabelecida como uma forma de garantir que os países em desenvolvimento pudessem ter acesso às vacinas e que os produtos não ficassem apenas nas mãos dos países ricos. Em média, governos têm solicitado uma cobertura que varia entre 17% e 20% de suas populações.

“O ministério [da Saúde] optou por assegurar o mínimo de 10%, mas é importante ressaltar que, conforme previsto no contrato de adesão, a pasta pode adquirir mais vacinas junto aos laboratórios que integram a aliança”, disse a pasta, em nota enviada ao Uol.

Caso o Brasil decida comprar mais doses via Covax, a aliança teria que 1º atender a todos os contratos já firmados. A adesão do Brasil à aliança foi anunciada em 24 de setembro. O Brasil pagará aproximadamente R$ 2,5 bilhões para participar da iniciativa. Em troca, o país receberá 42,5 milhões de doses de 1 dos imunizantes em desenvolvimento contra a Covid-19.

Ao firmar o acordo, o Brasil optou ainda por uma espécie de cláusula de flexibilidade. Assim, o governo pode abrir mão das doses caso seja de um imunizante ainda não aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) ou de farmacêutica com a qual o país tenha acordo. O Brasil ainda pode argumentar dificuldade de logística para não aceitar a vacina.

Caso escolha não receber as doses, o Brasil perde prioridade na 2ª rodada de distribuição.

O Ministério da Saúde disse que firmou o contrato de adesão “com o intuito de auxiliar no cofinanciamento do desenvolvimento da vacina e ao seu acesso, de modo a mitigar a competitividade e os altos preços na corrida pela vacina por parte dos países mais ricos, assim como os riscos decorrentes do desenvolvimento de uma vacina, devido à participação de mais de 9 laboratórios”.

Segundo a pasta, “foi escolhida a opção de adesão que possibilitasse adquirir a vacina que viesse a ser registrada na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), trazendo maior vantajosidade à população brasileira”.

Acordos

O governo federal tem acordo com a AstraZeneca/Oxford. O Brasil terá acesso a 100 milhões de doses do imunizante e a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) poderá produzir a vacina.

O Ministério da Saúde negocia com a Pfizer a compra de 70 milhões de doses do imunizante desenvolvido em parceria com a BioNTech. Segundo a pasta, “os termos já estão bem avançados e devem ser finalizados ainda no início desta semana com a assinatura do memorando de intenção”.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) falou nessa segunda-feira (7) que o governo vai ofertar a vacina contra covid-19 para toda a população “de forma gratuita e não obrigatória”.

A declaração de Bolsonaro foi feita no mesmo dia em que o governo de São Paulo divulgou que a vacinação deve começar em 25 de janeiro no Estado. O governo de João Doria (PSDB) tem parceria com a Sinovac. O acordo prevê o fornecimento de doses prontas da CoronaVac e a transferência de tecnologia para a fabricação da vacina pelo Instituto Butantan.

No fim de outubro, o Ministério da Saúde informou que compraria 46 milhões de doses da CoronaVac. O protocolo foi assinado pelo ministro Eduardo Pazuello. Um dia depois, Bolsonaro decidiu cancelar o acordo.

*Com informações do Yahoo Notícias.


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