Medo da contaminação e isolamento social repentino abalaram a saúde mental da população durante pandemia

Segundo a CEO da Angioclam, Fernanda Ferrari, apesar da crise, a pandemia intensificou, sim, a busca por atendimentos nas áreas de psicologia e psiquiatria, aumento que ocorreu tanto na rede pública quanto na privada.
Segundo a CEO da Angioclam, Fernanda Ferrari, apesar da crise, a pandemia intensificou, sim, a busca por atendimentos nas áreas de psicologia e psiquiatria, aumento que ocorreu tanto na rede pública quanto na privada.

A Covid-19 disparou crises de stress em todo o planeta, intensificadas pelo medo da contaminação, pela possível perda de entes queridos e pelo isolamento social repentino. Não bastasse o abalo causado pela pandemia, o Brasil ainda enfrenta uma longa crise política com consequências econômicas catalisadoras da piora da saúde mental dos cidadãos, e toda uma nova gama de patologias psiquiátricas. Para muitos especialistas, a solução pode estar na telemedicina e na telepsicologia.

Segundo a CEO da Angioclam, Fernanda Ferrari, apesar da crise, a pandemia intensificou, sim, a busca por atendimentos nas áreas de psicologia e psiquiatria ― aumento que ocorreu tanto na rede pública quanto na privada. “Há um consenso sobre a necessidade de todos cuidarem do bem-estar da mente. Então, clínicas e centros de referência estão sendo muito demandados”, sinalizou, mas, alertou: “O atendimento, contudo, requer especialistas e uma equipe multidisciplinar, capaz de absorver a vivência e particularidades de cada pessoa”.

Janeiro Branco

Neste mês da campanha Janeiro Branco, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) chama a atenção para a importância dos cuidados com a saúde mental, que vem sendo afetada em todo o mundo pela pandemia do novo coronavírus. Em março do ano passado, a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) já advertia, em artigo internacional publicado no ‘Brazilian Journal of Psychiatry’, que a pandemia traria uma quarta onda relativa às doenças mentais. Estudos já indicam que houve neste período um aumento de 50% a 90% no diagnóstico de pessoas com ansiedade, depressão e outras patologias psiquiátricas no Brasil.

Segundo a psicóloga clínica comportamental, Lívia Barcelos, antes de qualquer diagnóstico catastrófico, por mais condizente com a realidade, é preciso entender primeiro que saúde mental não tem a ver com a ausência de tristeza, medo ou ansiedade. A questão é como administramos essas emoções naturais. “A abordagem é reconhecer como essas emoções fazem parte de um contexto, logo, não existem respostas negativas. A abordagem não é de negação, mas, equilíbrio das emoções, que são extremamente saudáveis e naturais dentro de uma experiência controlada”, explicou a psicóloga.

Desequilíbrios emocionais afastam pessoas do trabalho

De acordo com a ANS, a saúde mental provoca reflexos também na economia, constituindo causa de afastamento do trabalho e caracterizando muitas vezes a pessoa como incapaz. A especialista em Life Coach, Joanna Marques, avalia que a pandemia produziu muitas distrações e as pessoas se vêem pressionadas a realizarem mais atividades com a mesma eficiência. “Todos somos capazes. A diferença é que nem todos eliminam as distrações e depositam a energia no mais importante. E toda a roda da vida começa com o autocuidado”, explicou. A Life Coach também ressaltou que não existe uma “receita de bola” para o tratamento, pois, os especialistas devem considerar a individualidade de cada paciente. “Água com limão não é bom para todas as pessoas. É preciso entender cada pessoa antes de dizer o que cada um precisa”, pontua.

Na avaliação da ANS, os dados comprovam a importância de se ampliar o debate e os meios para os cuidados com a saúde mental, que constitui também um desafio para a saúde suplementar. Em 2019, os beneficiários de planos de saúde no Brasil realizaram cerca de 29 milhões de procedimentos relacionados ao cuidado em saúde mental, aumento de 167% contra os números apresentados em 2011.


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