Saída da Ford atesta falência da política neoliberal do ministro Paulo Guedes e do presidente Jair Bolsonaro; Parlamentares protestam

“Com Bolsonaro, a Ford fecha fábricas no Brasil e há fuga de investimentos por causa da instabilidade econômica e do ambiente de negócios ruim”, adverte a presidenta do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR). “Bolsonaro trabalha contra o Brasil!”, diz.
“Com Bolsonaro, a Ford fecha fábricas no Brasil e há fuga de investimentos por causa da instabilidade econômica e do ambiente de negócios ruim”, adverte a presidenta do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR). “Bolsonaro trabalha contra o Brasil!”, diz.

O anúncio – sem “aviso prévio” – da demissão de 5 mil trabalhadores de um dos setores de ponta da economia brasileira dimensiona o grau de falência e de maldade da política econômica do governo Bolsonaro.  Talvez, no terreno do surrealismo, é mais espantoso ainda ver o ministro Paulo Guedes, diante do fato, afirmar que a economia está se recuperando em “V”. “Com Bolsonaro, a Ford fecha fábricas no Brasil e há fuga de investimentos por causa da instabilidade econômica e do ambiente de negócios ruim”, adverte a presidenta do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR). “Bolsonaro trabalha contra o Brasil!”, afirma.

Nesta segunda-feira (11/01/2021), a montadora norte-americana divulgou que está deixando o Brasil, depois de um século de atividades, sinalizando o aprofundamento da crise econômica do país. Com isso, pelo menos 5 mil trabalhadores serão demitidos com o fechamento das fábricas de Camaçari (BA), Taubaté (SP) e Horizonte (CE). A decisão, no entanto, terá efeitos ainda mais perversos, atingindo cerca de 35 mil a 50 mil postos de trabalho indiretos. Em Tambaté, onde a fábrica da Ford funciona desde 1974, 830 funcionários serão demitidos, segundo o sindicato.

O anúncio da saída da Ford do país é sinal do desgoverno comandado pelo presidente Jair Bolsonaro, sintetiza Paulo Cayres, presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM- CUT).  “Diziam que haveria melhores empregos com as reformas trabalhista e da Previdência, após o impeachment de Dilma. O que estamos percebendo é que nada disso resolveu”, acrescentou. “A Ford, que é capitalista, vai na mesma linha”, disse em entrevista ao jornal Rede Brasil Atual. “A lógica desse governo é destruir empregos e direitos”, conclui. Os trabalhadores promoveram protestos nas cidades atingidas pela decisão.

Uma lógica completamente diferente da história recente do país, em que motivadas pelo confiança na economia e no governo, a Ford e outras empresas investiam no Brasil. Em 2009, diante do aumento de vendas de veículos no país, a Ford confirmou um investimento de R$ 4 bilhões no Brasil entre 2011 e 2015, sendo R$ 2,8 bilhões no Nordeste, para as fábricas em Camaçari (BA) e no Ceará. A lembrança positiva do fato, na segunda-feira, 11, levou o ex-presidente Lula e o PT ao topo do Twitter, com os internautas pedindo a volta do Partido dos Trabalhadores ao governo.

Alinhada à defesa do modelo neoliberal do ministro Paulo Guedes, a mídia corporativa apostou em buscar culpados na falta das reformas administrativa, fiscal e tributária e, principalmente, no “custo Brasil”. “Precisamos de uma proposta econômica efetiva que garanta emprego e renda para o Brasil”, defende o senador Rogério Carvalho (PT-SE), líder da bancada do PT no Senado Federal. “A tal virada econômica de que Guedes fala é cinismo, desfaçatez, deboche, cretinice”, acusou o líder do PT na Câmara dos Deputados, Enio Verri (PR).

Deputado Daniel Almeida lamenta fechamento da fábrica em Camaçari

O deputado federal Daniel Almeida (PCdoB), lamentou o anúncio da Ford de fechar a fábrica em Camaçari e das outras unidades no Brasil. “A Bahia sofre um impacto brutal com esse anúncio, pois são milhares de empregos diretos e indiretos que podem ser perdidos. Não podemos aceitar essa decisão unilateral”.

O parlamentar convocou trabalhadores, lideranças, todas as autoridades competentes para fazer a mobilização em favor da preservação de empregos. “Precisamos lutar pelos dos direitos desses trabalhadores e também pensar em outras alternativas para diminuir os impactos gerados pelo fechamento da fábrica em Camaçari”, falou.

“Estarei sempre na linha de frente junto com os Metalúrgicos, centrais sindicais e representantes dessa importante classe trabalhadora”, reafirmou Daniel. A Ford pretende manter aberto apenas o Centro de Desenvolvimento de Produtos. O fechamento da fábrica pode gerar a perda de cerca de 72 mil postos de trabalho e perda de arrecadação econômica no Estado.

Deputado Osni Cardoso lamenta ocorrido, mas parabeniza governador Rui Costa pelo suporte aos trabalhadores e sugere que ALBA e sindicatos entrem na discussão

O deputado estadual Osni Cardoso (PT) lamentou o fechamento das unidades da Ford em Camaçari (BA), Taubaté (SP) e Horizonte (CE). O desmonte da empresa vai acarretar em mais de 12 mil pessoas desempregadas, além de prejudicar diretamente a economia da Bahia e do Brasil.

“É muito triste ver uma indústria que está há 20 anos na Bahia, empregando tanta gente, ser desmontada devido a inoperância de um Governo Federal que prefere afastar os investidores. Essa é uma prova clara de que desde o golpe de 2016, o mercado interno brasileiro vem sendo destruído. Uma empresa que abandona o país após 103 anos de atuação não enxerga mais condições de prosperar, não enxerga futuro”, disse.

A saída da Ford do Brasil não é um fato isolado. “Já tivemos o desligamento de multinacionais como Sony, Audi e Mercedes. O governo Bolsonaro é marcado, dentre outras mazelas, pela instabilidade econômica”, completou.

Na Bahia, a luta pela manutenção dessa cadeia produtiva começou imediatamente após o anúncio da Ford, com a criação de um grupo de trabalho que discutirá o assunto. Para Osni, a atuação do governador tem sido importante. “Rui não tem medido esforços para encontrar saídas para essa situação tão delicada. A criação do grupo de trabalho que busca alternativas ao fechamento da Ford é importante para tentar reverter o cenário e assegurar a manutenção dos empregos. Além da participação dos técnicos do Estado e da FIEB, acho de extrema importância que a ALBA e os setores sindicais sejam incluídos na discussão”.

João Roma lamenta fechamento da fábrica da Ford de Camaçari: “Impacto terrível”

O deputado federal João Roma (Republicanos) lamentou nesta segunda-feira (11) o anúncio feito pela Ford do fechamento de suas três fábricas no Brasil, entre elas a unidade de Camaçari. O parlamentar destacou que o encerramento da unidade baiana é uma grande perda para Camaçari e para todo o estado, provocando um “grande impacto na economia”.

“É uma perda incalculável para a Bahia. São milhares de empregos, diretos e indiretos, afetados pelo fechamento da fábrica da Ford, que, há 20 anos, foi uma grande conquista para a Bahia. Lamento pelos trabalhadores que perderão seus postos e me solidarizo com cada um deles”, afirmou o deputado.

“Me preocupa, ainda, o impacto que esse fechamento terá na nossa economia em geral. São diversos setores que sofrerão. Precisamos mais do que nunca avançar com a agenda de reformas para melhorar o nosso ambiente de negócios e garantir a retomada da nossa economia”, complementou.

O anúncio – sem “aviso prévio” – da demissão de 5 mil trabalhadores de um dos setores de ponta da economia.
Trabalhadores da Ford protestam contra fechamento das fábricas em São Paulo, Bahia e Ceará.
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